Área contígua ao centro histórico de Belém do Pará, Zona Especial do Patrimônio Histórico declarada por lei, o bairro do Reduto, cenário industrial da belle Époque, da Doca do Reduto no início do século XX, com suas canoas coloridas repletas…

A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça fixou, sob o rito dos recursos repetitivos, a tese de que o servidor federal inativo, independentemente de prévio requerimento administrativo, tem direito à conversão em dinheiro da licença-prêmio não usufruída durante a…

O prefeito Edmilson Rodrigues cumpriu agenda institucional em Brasília, ao lado do secretário municipal de Gestão e Planejamento, Cláudio Puty. No Ministério da Economia, trataram das obras de saneamento básico no Canal do Mata Fome, no bairro do Tapanã, onde…

O leite materno contém propriedades importantes para o crescimento e desenvolvimento do bebê, fortalecendo a sua imunidade contra diversas doenças. Em 1992 a Aliança Mundial de Ação Pró-Amamentação criou a Semana Mundial de Aleitamento Materno, de 1 a 7 de…

Do Mucajá ao Poraqué, os sabores do Pará

 Mingau de Mucajá
Poraqué – foto: Emiliano Boccato

Alguém aí conhece, já provou ou ouviu falar em kanhapyra, puxirana, uruá, araru, meleque, xamiuwuawa? Pois esses e mais 250 itens da cultura alimentar tradicional amazônica integram o projeto CATA – Cultura Alimentar Tradicional Amazônica, uma cartografia da cultura alimentar ancestral e identitária da floresta, na definição do Instituto Iacitatá Amazônia Viva, que o realiza em parceria com povos originários e tradicionais para a conservação da sociobiodiversidade amazônica, desde 2009, e foi premiado este ano pelo governo federal no edital Amazônia Cultural. 

A equipe é composta por Carlos Ruffeil, músico, cozinheiro e coordenador de expedições; Rao Godinho, fotógrafo especialista em cultura da Amazônia, o fotógrafo Emiliano Boccato, prêmio Year Best Book de fotografia em gastronomia; Marcos Hermes, um dos maiores fotógrafos do cenário artístico mundial, que tem entre seus principais trabalhos Stevie Wonder, Paul McCartney e Djvan, entre outros; a fotógrafa e artista visual Sylvia Sanchez; e a realizadora cultural, representante da região norte do Slow Food Brasil e liderança nacional pelo reconhecimento da comida como cultura, Tainá Marajoara. Além do núcleo, o projeto é formado por uma rede de mais de duas mil pessoas, entre jornalistas, pesquisadores, apoiadores, parceiros, agitadores culturais e guias locais, agricultores, indígenas, comunidades tradicionais, vaqueiros, lideranças comunitárias e sociedade civil organizada, que participam ativamente da construção do processo.


Carlos Ruffeil realça: “É comum observar nas falas sobre gastronomia que se deixa de lado o ser humano produtor, o guardião de conhecimento, os mestres de cultura popular como se a comida aparecesse por si só no meio de um prato. Nosso trabalho é também fortalecer o mestre da cultura alimentar, o ancião, as guardiãs da cozinha indígena.” E Tainá complementa: “Uma das mais sensíveis experiências que vivemos foi com os Assurini do Trocará, um povo de sabedoria milenar, guardiões de saberes ancestrais muito valiosos para a sobrevivência do homem e da natureza. As sábias palavras do cacique Kamiramé e do liderança Poraqué nos tocaram profundamente o coração. Foi um intenso aprendizado sobre a vida.” 


Em junho deste ano, o Museu do Marajó recebeu um manuscrito do período colonial em que está relatado o preparo da Kanhapyra, tucupy e muito de nossa cultura alimentar indígena e artesanatos e joias em tucumã.
Outra forma de contribuição direta a essas comunidades é quando alguns produtos ou preparos identificados com potencial de mercado são trabalhados a partir do comércio justo e conectados diretamente ao movimento Slow Food Internacional, presente em mais de 170 países e 200 mil associados, para qual o Projeto CATA irá fornecer conteúdo ao guia global Slow Food Planet, uma espécie de Wikipédia de Alimentos e turismo, em parceria com o Google. 



Sabores exóticos desconhecidos até mesmo pela grande maioria dos paraenses estão sendo resgatados pelo projeto. O “Mingau de Mucajá” de Ourém, em 2009, foi identificado como cultura em risco de desaparecimento e desde então a Iacitatá busca meios de protegê-lo e divulgá-lo. “Seu Vavá” é vendedor e mestre da cultura alimentar, último guardião dessa sabedoria indígena Tembé. A dedicação de sua família em manter viva a tradição fez desse alimento patrimônio cultural, identitário e atrativo turístico da cidade parauara de Ourém.
Por corresponder aos princípios de alimento bom, limpo e justo, o mingau de mucajá, com 
sua história e risco de desaparecimento, foi incluído oficialmente na Arca do Gosto, o maior projeto mundial de defesa da sociobiodiversidade, realizado pelo movimento Slow Food, fundado na Itália, por Carlo Petrini.
Até o final de 2014, também já estão na agenda Cachoeira do Arari, Soure, Salvaterra, Anavianas e Afuá no Marajó; Santarém e Flona Tapajós; Flota-Paru, no Jari, Santarém Novo e uma volta à aldeia Assurini. 


Compartilhar

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on vk
Share on tumblr
Share on pocket
Share on whatsapp
Share on email
Share on linkedin

Conteúdo relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *