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Crueldade em pesca tem que ser apurada

O empresário e político Carlito Begot, ex-vice-prefeito de Ananindeua(PA), protagonizou cena chocante no condomínio Lago Azul, reduto de endinheirados, na noite do domingo passado, 23, em um píer destinado à pesca “pesque-e-solte”. Um grupo fisgou um pirarucu com cerca de cem quilos e tentava alavancar o peixe. Visivelmente ferido de morte, tingindo de vermelho as águas com o seu sangue, o animal foi exposto a grande sofrimento. Um homem, chamado pelos outros “Amadeu”, desceu e abriu a guelra do pirarucu, que restou inerte. Outro gritou: “Dá na cabeça dele para ele morrer. Mata esse peixe aí na água”. O pirarucu foi içado e Carlito Begot, então, pegou uma enxada e bateu com violência seguidas vezes na cabeça dele, sob risos da turba.  Tudo foi gravado em vídeo pela irmã da jornalista Erika Mohry, que protestou contra o ato de selvageria, inclusive argumentando que crianças estavam ali vendo a barbárie, pois o píer é ao lado de parquinho e piscina infantil. O condomínio registrou boletim de ocorrência na delegacia de polícia de Ananindeua. Todos os moradores envolvidos já foram identificados e serão multados em mais de R$ 1.200 cada um, de acordo com a administração condominial, que classificou a cena como “dantesca”. A Polícia Civil não se manifestou sobre o caso.

As imagens de extrema crueldade causaram revolta e indignação em condôminos e nas redes sociais. A prática de pesca amadora pelo sistema “pesque e solte” é regulamentada e deve ser fiscalizada. A regra fundamental é usar equipamentos, iscas e técnicas que não machuquem os peixes e devolvê-los ao seu habitat imediatamente, tomando o cuidado de segurá-los com delicadeza pelos braços na água até que descansem do esforço e tenham condições de se locomover. Sob nenhuma condição deve-se enfiar a mão na guelra dos peixes. Por ser zona de grande irrigação sanguínea, é uma porta aberta para infecções. Ademais, Carlito Begot e seus amigos não estavam em estado de necessidade que justificasse matar a pauladas o animal indefeso. O caso configura crime ambiental e de maus-tratos a animais, com requintes de perversidade.

O deputado estadual Igor Normando, presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária da Assembleia Legislativa do Pará, líder da Raps Brasil – Rede de Ação Política pela Sustentabilidade -, e notório defensor da causa animal, vai oficiar aos órgãos ambientais e organismos de proteção aos animais e acompanhar o inquérito policial sobre o caso. Ele lamentou o ocorrido e ainda mais que tal atrocidade tenha sido praticada por um homem público.

Para o advogado Albeniz Neto, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais da OAB-PA, algumas espécies são mais suscetíveis a causar empatia nas pessoas. Ele explica que os animais de corte, de abate para consumo humano, costumam ser um dos mais ignorados nesse quesito e os peixes principalmente, por não expressarem sentimentos com a clareza que um cachorro expressa em sons, expressões corporais, etc.: “Há quem diga “mas é só um peixe”. A lei, entretanto, não reduz nenhum animal à categoria de indigno da proteção contra a crueldade e maus-tratos. O que se vê neste caso é a morte do pirarucu decorrente de maus tratos, aparentemente por diversão, chamam até de “esporte”. Pesca esportiva é crueldade tal qual farra do boi, tourada, práticas que sob a desculpa de serem “tradicionais” tentam perpetuar crueldades contra outros animais para entretenimento humano. Tanto a Constituição Federal quantos as leis extravagantes que tratam da proteção ao meio ambiente vedam claramente o que foi feito àquele animal e, dada a repercussão e a clareza dos indícios, certamente caberá apuração por conta da autoridade policial. O especismo e a prática de atividades cruéis contra os animais por lazer são temas que precisam cada vez mais entrar nas pautas de discussão para avançarmos contra os maus-tratos aos animais”.

Maior peixe de escama de água doce do planeta, o pirarucu pode chegar a três metros de comprimento e pesar 250 Kg. É um animal portentoso e belíssimo, com escamas grossas e largas, coloração verde escura no dorso, vermelha nos flancos e na cauda, cuja intensidade se evidencia em águas claras, e com sistema respiratório muito peculiar: precisa ir até a superfície d’água em intervalos de aproximadamente 20 minutos, para captar o ar atmosférico.

Desde o início da década de 1970 a pesca predatória vem dizimando a espécie em toda a Amazônia. No Pará, o pirarucu já foi extinto em muitas localidades e está ameaçado de extinção na maioria das restantes. A inexistência de regulamentação da lei estadual, que permitiria somente a pesca do pirarucu via manejo, contribui para a superexploracão da espécie, assim como a ausência de mecanismos que garantam a sustentabilidade da assistência técnica para o manejo da pesca e o fato de poucas comunidades e pescadores estarem inseridas nos processos de manejo sustentável. Pessoas sensíveis, adolescentes e crianças não devem assistir aos vídeos.

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