Publicado em: 17 de junho de 2026
O quinto e o sexto dias da Copa do Mundo de 2026 confirmaram uma das
características mais fascinantes do torneio: a capacidade de transformar cada rodada
em uma combinação única de surpresas, grandes atuações individuais e histórias que
transcendem os resultados. Entre os dias 15 e 16 de junho, o futebol mundial assistiu
tanto à resistência heroica de uma pequena nação estreante quanto ao brilho de
alguns dos maiores craques da história deste esporte.
Na segunda-feira (15), a atual campeã europeia, Espanha, encontrou mais
dificuldades do que imaginava diante da estreante Cabo Verde. Mantendo seu
tradicional estilo de posse de bola e circulação paciente, os espanhóis recorreram até
mesmo à entrada do jovem fenômeno Lamine Yamal no segundo tempo para tentar
furar a defesa adversária. Mas o grande protagonista da partida foi o goleiro Vozinha,
que protagonizou uma atuação memorável. Graças às suas defesas decisivas, os cabo-
verdianos seguraram um histórico empate sem gols – o primeiro da Copa – e levaram à
euforia uma população de pouco mais de 500 mil habitantes.
Os demais confrontos do dia mantiveram o equilíbrio como marca dominante.
Bélgica e Egito empataram por 1 a 1 em um jogo bastante disputado. A talentosa
geração belga parece dar sinais de desgaste após dois ciclos de Copa, embora Romelu
Lukaku continue sendo sua principal referência ofensiva. Do lado egípcio, Mohamed
Salah mostrou mobilidade e qualidade para comandar as ações do ataque. Uruguai e
Arábia Saudita também ficaram no 1 a 1, resultado que evidenciou as dificuldades da
equipe dirigida por Marcelo Bielsa, incapaz de superar um adversário tecnicamente
inferior. No encerramento da rodada, Irã e Nova Zelândia protagonizaram um
movimentado empate por 2 a 2. Ao final do dia, portanto, os quatro jogos terminaram
empatados.
Já a terça-feira (16) reservava a estreia de dois dos principais candidatos ao
título (justamente os finalistas da Copa de 2022) e a presença de três estrelas globais:
Kylian Mbappé, Erling Haaland e Lionel Messi. Em campo, todos corresponderam às
expectativas. A França, que disputou quatro das últimas sete finais de Copa do Mundo
e conquistou dois títulos nesse período, confirmou a força de um elenco que talvez
seja o mais qualificado da competição.
Depois de um primeiro tempo equilibrado contra Senegal, os franceses
assumiram o controle da partida na etapa final. Michael Olise comandou as ações
ofensivas, enquanto Mbappé marcou duas vezes na vitória por 3 a 1. O atacante
chegou a 14 gols em Copas do Mundo e reforçou a impressão de que pretende liderar
os Bleus rumo a mais uma conquista. A competição também marca o encerramento do
vitorioso ciclo de Didier Deschamps, responsável por transformar a França em uma
potência constante ao longo dos últimos 14 anos.
Pelo mesmo grupo, a Noruega venceu o Iraque por 4 a 1, impulsionada por dois
gols de Erling Haaland. Em sua primeira Copa, o atacante do Manchester City
apresentou seu cartão de visitas e consolidou os escandinavos como candidatos a uma
campanha histórica. Pode haver, inclusive, um confronto entre Brasil e Noruega em
oitavas-de-final.
Mas o momento mais aguardado da noite estava reservado para Lionel Messi.
Contra a modesta Argélia, a Argentina apresentou um futebol coletivo consistente e
criou o cenário ideal para que seu principal astro brilhasse. Aos 38 anos – quase 39 –,
Messi mostrou que ainda é capaz de decidir partidas no mais alto nível: marcou os três
gols da vitória por 3 a 0 e alcançou a marca de 16 gols em Copas do Mundo, igualando
o recorde de Miroslav Klose. Em sua provável despedida da seleção argentina em
Mundiais, o camisa 10 segue ampliando uma trajetória que o coloca entre os maiores
jogadores da história do esporte.
Enquanto os favoritos confirmam seu protagonismo e os grandes craques
escrevem novos capítulos de suas carreiras, a Copa do Mundo continua demonstrando
por que permanece como o maior espetáculo esportivo do planeta. Em um mesmo
torneio convivem a genialidade de Messi e Mbappé, a força emergente de Haaland e a
epopeia de um goleiro cabo-verdiano capaz de desafiar uma potência europeia.
É justamente essa mistura de talento, emoção, identidade nacional e alcance
global que transforma cada edição da Copa em uma celebração coletiva do futebol e
em um raro momento de encontro entre povos, culturas e sonhos espalhados pelos
cinco continentes.










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