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Biografia de Gerson Peres em sessão histórica

FOTOS: OZÉAS SANTOS
Uma das mais interessantes sessões solenes  da Assembleia Legislativa foi realizada hoje, em homenagem a Gerson Peres, advogado, jornalista, educador e político detentor de trajetória admirável. Requerida pelo deputado Sidney Rosa (PSB) e aprovada à unanimidade, foi muito prestigiada, e também estavam presentes seus filhos Gersinho e Rosângela, e três netos – Gerson Neto, Gerson Teixeira Peres e Amanda. A outra filha, Rosa Helena, mora na França. A esposa, Gracinda, com virose, não pôde comparecer. Rosângela, olhos vermelhos por um choro misto de alegria e orgulho, agradeceu ao deputado Sidney Rosa e à Casa pelo momento. “Jamais nossa família esquecerá”, garantiu. O evento durou duas horas e meia, mas ninguém sentiu o tempo passar. Ao final, foi lançada a obra “Gerson Peres, Um Político Notável”, biografia que integra a primeira coleção Perfis Parlamentares, iniciativa da Alepa no resgate da memória dos quase 200 anos do parlamento parauara, fruto de pesquisa do Centro de Documentação da Alepa, com a participação do Museu de Cametá. 
Em seu discurso de agradecimento, bem de saúde aos 86 anos (que completou no último dia 2), lúcido e espirituoso, Gerson revelou episódios pitorescos de sua vida e da história do Pará. Era para ser padre, contou, mas desistiu do sacerdócio para poder casar e constituir família. Afinal  – confessou, arrancando gargalhadas da plateia – não podia ver moça bonita sem querer namorar. Na época, sua mãe chorou, mas ele a consolou prometendo que jamais a envergonharia, e se orgulha de ter cumprido a promessa. Foi deputado estadual – presidente da Alepa –, deputado federal, vice-governador, governador em exercício e senador
Com humor fino, Gerson Peres alfinetou ex-presidentes da Assembleia Legislativa ao lembrar, da tribuna, o mobiliário provençal, a pinacoteca e o salão nobre que faziam o diferencial do Palácio Cabanagem; a sala de imprensa, que criou, o setor de taquigrafia, que ampliou, e a “Placa da Transparência”, por onde informava, já naquela época (1973/1974), a quem quisesse saber como e em que a Assembleia aplicava os recursos públicos. E fulminou ao dizer que seu pai, Romeu Duarte Peres, falecido aos 92 anos, dera-lhe o alerta: “Nunca roube e jamais traia”. 

O estudante Steve Cabral, de 20 anos, que cursa mecânica a diesel, surpreendeu a todos ao pedir a palavra e dirigir agradecimentos a Gerson Peres. Ele revelou que dois tios e um primo tiveram formação do Senai, à época dirigido pelo homenageado, com quem uma tia chegou a trabalhar. “Agora estudo para ajudar a minha família”, relatou. 

Em seu pronunciamento, Sidney Rosa ressaltou a importância da homenagem e falou da admiração de que Gerson Peres desfruta junto a autoridades, políticos, representantes do segmento industrial e produtivo e do povo do Pará.

Na apresentação da biografia de Gerson Peres, o presidente da Alepa, deputado Márcio Miranda, destacou a gestão competente e a atuação parlamentar do homenageado, salientando ter ele implantado a Pinacoteca da Alepa, com todos os quadros pintados por artistas paraenses, com destaque para os monumentos alusivos à Adesão do Pará e à Independência do Brasil, entre outras realizações, e que esses feitos merecem o registro e o reconhecimento do Parlamento. 

A programação contou com a participação especial do Coral da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), que interpretou o Hino Nacional, o Hino do Pará e “Trem Bala”, de Ana Vilela. Na mesa oficial, além dos deputados Sidney Rosa e Luiz Afonso Seffer, a deputada licenciada Ana Cunha, secretária de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda, representando o governador Simão Jatene; Dário Lemos, diretor regional do Senai, órgão no qual começou a trabalhar como estagiário, pelas mãos de Gerson Peres; José Conrado Santos, presidente da Fiepa; José Maria Mendonça, presidente do Centro das Indústrias do Pará; Carlos Xavier, presidente da Faepa (Federação da Agricultura e Pecuária do Pará); e o empresário e ex-governador do Pará Carlos Santos

Também prestigiou o evento o juiz e articulista Ernani Malato, membro da Academia Paraense de Jornalismo, dentre outras personalidades. Aliás, Gerson contou que João Malato (tio de Ernani), articulista paraense temido pela sua verve, uma vez escreveu que ele tinha mandado colocar luzes no seu bidê. Ao que Gerson retrucou, sem a menor cerimônia: “_É para lavar a sua língua“. Malato, conforme Gerson, riu e concordou. 

O cametaense Gerson dos Santos Peres iniciou a vida política no movimento estudantil. Atualmente, presta consultoria na área educacional ao Senai, instituição que dirigiu no Pará ao longo de mais de seis décadas.

Célebre por suas tiradas do folclore político, em especial a de que “em política até boi voa“, Gerson foi deputado estadual pelo PTB em 1958, migrou para a UDN e foi reeleito em 1962. Após o golpe militar de 1964 se filiou à Arena e se reelegeu em 1966, 1970 e 1974. Em 1978 virou vice-governador do Pará por via indireta na chapa do coronel Alacid Nunes, foi escolhido presidente do diretório estadual da Arena e do PDS, deputado federal em 1982, 1986 e 1990. Ausente da votação da Emenda Dante de Oliveira (Diretas Já) e eleitor de Paulo Maluf no Colégio Eleitoral, votou a favor do impeachment de Fernando Collor em 1992. Filiou-se depois a legendas como PPR e PPB, e conseguiu se reeleger em 1994 e 1998. Derrotado na disputa ao Senado Federal pelo PP em 2002, foi secretário especial de Promoção Social no primeiro governo Simão Jatene e seu último mandato de deputado federal foi em 2006.

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