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Adeus a Glairson Figueiredo

O advogado Glairson Figueiredo, pai do deputado federal e candidato a
prefeito de Belém Arnaldo Jordy(PPS), faleceu há pouco, vítima de complicações
pulmonares. Profissional muito admirado, ele recebeu homenagem da OAB-PA no ano
passado, durante a V Conferência dos Advogados do Estado do Pará, quando foi
agraciado com o diploma
Honor et Labor. Orador do evento, as palavras que ele disse
na ocasião soam como uma despedida e um testamento, que vale a pena reproduzir
em sua memória:
“(…) Até podemos admitir que esse mesmo tempo de que
falamos, representado por nossa caminhada nesta vida esteja chegando ao fim,
mas temos convicção também que não desperdiçamos a nossa energia com
futilidades, esperando que nossa modesta contribuição tenha servido para
acrescentar uma parcela, ainda que pequena, àquele grandioso acervo produzido
pelos mais jovens e talentosos advogados e advogadas que aí estão a enriquecer
a galeria dos profissionais do Direito. 
A eles os nossos parabéns e as nossas homenagens.
Dissemos atrás que o tempo, há muito, está nos convidando a
parar. Sobre o assunto vou lembrar a vocês (especialmente aos mais jovens) a
lição pregada por um poeta português do Século XVII, Frei Antonio das Chagas,
que num momento de rara inspiração, escreveu em verso o poema Tempo
e Contratempo
.
Disse ele:
“Deus pede estrita
conta de meu tempo
E eu vou do meu tempo
dar-lhe conta
Mas como dar sem
tempo tanta conta
Eu que gastei sem
conta tanto tempo?
Para ter minha conta
feita a tempo
O tempo me foi dado e
não fiz conta
Não quis sobrando
tempo fazer conta
Hoje quero prestar
conta e não há tempo
Oh! Vós que tendes
tempo ser ter conta
Não gasteis vosso
tempo em passa tempo,
Cuidai enquanto há
tempo em vossa conta
Pois aqueles que sem
conta gastam o tempo
Quando o tempo chegar
de prestar conta
Chorarão como eu, o
não ter tempo
.”
Nós, os diretamente interessados, não. Nós ainda temos tempo
e muito tempo. Temos tempo suficiente, para, através das lições de vida,
passarmos alguma luz aos mais jovens, essa juventude que aí está, representando
a nossa esperança, a realização da nossa expectativa, a materialização dos
nossos sonhos e dos nossos ideais.


As lições a que me refiro são as lições de vida e de
sabedoria como aquela que nos passou o Professor Doutor Orlando Chilcre Bitar,
de saudosa memória, um dos maiores repositórios da ciência jurídica brasileira,
mestre de quase todas as gerações passadas, o qual, na oportunidade de uma
colação de grau lá no velho casarão da Praça da Trindade, onde está sediada a
OAB-PA, lá pelos idos dos anos de 1964 (em plena revolução) em que fora
escolhido paraninfo à uma turma de bacharéis em Direito, disse o mestre aos
seus apadrinhados e aqui nós tomamos emprestado a sábia lição:
“Meus queridos colegas:
No Magistério, na Judicatura, na Administração ou na Advocacia, tereis
muito que negar, porque somente negando a desídia, negando a venalização da
Justiça, negando o patrocínio de causas desonestas e conspurcadoras de vossa
classe.
Negando barganhar com o bem comum o interesse inconfessável de grupos
oligárquicos, negando o mal e o erro, embora lhes sofrais grande atração por
ser de fácil manejo e de resultado compensador imediato, somente assim estareis
ascendendo a verdadeira posição de pessoas responsáveis, a verdadeira posição
de legítimos profissionais do Direito.”
São lições desse porte, Sr. Presidente, que nós, os mais
antigos, ousamos recomendar aos mais jovens, embora saibamos que a maioria
deles já segue esse roteiro, com as lições trazidas do berço.
Todas as nossas divagações têm um único sentido: o de
contribuir, ainda que de forma discreta, mas didática, para o aproveitamento no
curso da vida profissional do advogado aquilo que for mais aproveitável.
No meu olhar e no meu sentir entendo que somente através do
debate público é que o País poderá tomar consciência e separar o joio do trigo.
Ainda precisaremos de muitas horas, dias e talvez anos de
debates, conferências e discussões para rompermos a barreira que nos separa de
uma sociedade mais justa, onde não existam mais analfabetos, onde os doentes
tenham como ser tratados, onde todos tenham moradia e onde a terra seja
distribuída para aqueles que nela queiram trabalhar e produzir.
Nós, os mais antigos, por não termos conseguido êxito nessa
tarefa tão ingente e difícil, delegamos aos mais jovens tal incumbência,
acreditando que eles, forjados em matéria prima da melhor qualidade, possam
executar a obra que os mais velhos tanto se esforçaram para conseguir e ao
final admitiram o fracasso.”
Que Deus o receba em paz e console sua família e seu grande amigo e sócio da vida inteira, advogado Domingos Fabiano Cosenza.


* O velório será no salão nobre da OAB-PA, a partir das 17 h.

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