Lançamentos literários, apresentações de teatro, oficinas voltadas para as culturas pop e japonesa, arrecadação de livros, atividades pedagógicas e lúdicas direcionadas ao público infantil, entre outras ações, estão no cardápio de cultura e arte servido aos visitantes do estande da…

O procurador do Ministério Público do Trabalho Sandoval Alves da Silva tomou posse na chefia da Procuradoria Regional do Trabalho da 8ª Região para o biênio de 2021-2023 enfatizando o papel decisivo do MPT na garantia dos direitos humanos. O…

Prevaleceu o bom senso e o cuidado com as pessoas. O prefeito Edmilson Rodrigues ouviu o secretário municipal de Saúde, Maurício Bezerra, e técnicos responsáveis pela vacinação e enfrentamento à Covid-19, e cancelou os desfiles das escolas de samba, blocos…

Começou hoje (27) às 8h e segue até às 17h a votação nas prévias do PSDB para escolher seu candidato à Presidência da República. O resultado, se tudo correr bem, deve ser anunciado às 20h. O partido passou a semana…

Adeus ao poeta Edwaldo Campos

MENSAGEM
À MEMÓRIA DE EDWALDO CAMPOS
[1]
Vicente Malheiros da Fonseca – magistrado, professor e compositor
Na
impossibilidade de comparecer nesta Missa, escrevi um texto em tua homenagem,
caro amigo, poeta e parceiro Edwaldo Campos.
Filho de D. Anita Campos e do Dr.
Ubirajara Bentes, conceituado advogado de Santarém e famoso colecionador de
peças da cerâmica artesanal tapajônica, boa parte adquirida pela Universidade
do Estado de São Paulo (USP), Edwaldo era irmão do Ronaldo (ex-Prefeito
Municipal de Santarém), Luís Otávio (falecido), Ana Delfina e Ubirajara Bentes Filho
(advogado e atual Presidente da Subsecção da OAB, em Santarém), e pai de Ana
Maria e Caio, de seu casamento com Fátima Rebelo.
Ainda me lembro dos saudosos tempos de
nossa infância e juventude em Santarém, na escola Externato Santa Inês, da Professora Sofia
Imbiriba, e no Colégio Dom Amando,
eterna fonte do saber, ética, disciplina e fé cristã.
Destacada foi a tua atuação no 1º
Festival da Música Popular do Baixo-Amazonas, quando idealizamos, ao lado de Paulo
Roberto Rabelo, José Machado e Apolonildo Brito, esse memorável evento
artístico-cultural.
Na época, já habilidoso poeta, autor
da letra da canção “Corina”, foste o vencedor
do gênero “Música Jovem” (Prêmio Uirapuru de Ouro), com música de Renato
Siqueira (“Castelo”), interpretada pelo “Joe” (Francisco José Lemos), com
acompanhamento de “Os Hippies”, conjunto musical do Odilson Matos, do qual
participava meu irmão José Agostinho da Fonseca Neto (Tinho), como tecladista e
arranjador.
Era 19 de dezembro de 1970. Final do
Festival, no Cine Olympia, em
Santarém. A
apresentação foi transmita pela Rádio Rural para
toda a região do Baixo-Amazonas. Foi um sucesso e um momento inesquecível.
O teu talento foi reconhecido pela Comissão
Julgadora do Festival, integrada pelo Maestro Waldemar Henrique (Presidente),
Isaac Dahan, Avelino do Vale, Maria Lúcia do Vale, Wilson Fonseca, Emir
Bemerguy, Wilde Fonseca, Nélia Vasconcelos Dias, Sebastião Ferreira, Edenmar da
Costa Machado, Vicente Fonseca e Cecília Simões.
Em março
daquele ano, nos áureos tempos de juventude, produziste o
belo poema “Venha”, para o qual eu
fiz a música, no dia 13 de junho de 1970 (Dia de Santo Antônio – que
coincidência, pois o teu segundo prenome é Antônio). Até parece que foi ontem…
A
partir de 2012 começaste a me enviar diversos poemas de tua lavra para que
pudéssemos prosseguir na parceria.
De lá
para cá fizemos juntos uma dezena de canções. Teus inspirados poemas elaborados
em Santarém e minhas músicas compostas em Belém: VENHA (Toada-canção – 1970); TOADA
DA PIRACAIA
(Batuque, Carimbó, Sairé – 2012); CADÊ MARIA? (Maxixe e Sairé – 2012); LÁBIOS (Tango – 2012); SEDUÇÃO
(Marambirê – 2013); MATÁ-MATÁ E OS
FANTASMAS DO MERCADO MUNICIPAL
(Marcha-rancho – 2013); ROMPENDO COM AS MESMICES (Maxixe – 2013); TEMA DO MUIRAQUITÃ (Samba-Sairé – 2013); LUA CHEIA (Canção – 2013); e MARIAZINHA
(Samba – 2013).
Escolhi
para algumas de nossas parcerias os gêneros musicais bem brasileiros e
amazônicos (canção, batuque, carimbó, sairé, marambirê, samba), até porque os
temas de teus poemas sugerem a valorização da nossa cultura. Tudo isso é mais do que fantasia… É história de uma época, da nossa
terra…
Os poetas não morrem.
Tens cadeira cativa na Academia dos
imortais da literatura e das artes de Santarém, do Pará, da Amazônia e do
Brasil.
Os teus primorosos poemas são
relíquias que merecem destaque ao lado de Felisbelo Sussuarana, Paulo Rodrigues
dos Santos, Padre Manuel Albuquerque, Emir Bemerguy e uma plêiade de poetas da
“Pérola do Tapajós”.
Teu irmão, Dr. Ubirajara Bentes Filho,
comunicou-me que deixaste escrito mais dois poemas com um bilhete a mim
destinado, com o pedido para eu musicá-los. Fiquei muito emocionado com a
distinção, caro amigo e parceiro. Vou aguardar os textos poéticos que teu irmão
ficou de me enviar, rogando a Deus que me ilumine para permitir compor mais
essas duas obras musicais.
E agora que tu já estás no plano
espiritual, não te esquece de dar uma forcinha aí de cima para que a inspiração
não me falte. Prometo caprichar e compor à altura dos teus lindos poemas.
Em tua homenagem, invoquei alguns textos
poéticos de nossas mais recentes parcerias musicais na Elegia[2]
que te dediquei em 8 de fevereiro de 2013, quando partiste para a eternidade.
Agora, transcrevo a letra de uma
belíssima canção, que tem música de meu saudoso pai (autor do livro “Meu Baú
Mocorongo”) e texto poético do autor da letra do “Hino de Santarém” (música de
Wilson Fonseca) e do livro “Tupaiulândia”. Foi composta no ano de teu
nascimento:

ALMA DOENTE

(Canção)
Letra: Paulo Rodrigues dos Santos
Música: Wilson Fonseca (1949)
Ó! Por que
não fui eu simples bloco de mármore,
Que talhado a
cinzel ingressasse na história,
E na eterna
mudez de veneranda estátua,
Evocasse,
silente, almo sonho de glória
Dum artista de
fama!
Então, ao
vendaval da transitória vida,
Passara
indiferente e calmo a senda inglória,
Rumo da
eternidade,
Não tendo a
me queimar a pálpebra marmórea
A lágrima
dorida,
Nem tendo a
cruciar-me o peito esta saudade,
Nem a dor que
devora a triste humanidade
Feita de luz
e lama:
– Porque a
pedra não vive e não pensa e não chora,
Porque a
pedra não sonha e não sofre e não ama!
Renovo as condolências à tua família.
Descansa em paz, amigo, poeta e parceiro Edwaldo Campos!



[1] Texto para a Missa de Sétimo Dia de
falecimento do poeta Edwaldo Campos (Igreja do Santíssimo Sacramento, em
Santarém-PA – 14 de fevereiro de 2013).
[2]Elegia
para o parceiro Edwaldo Campos
”, publicada no blog do jornalista Jeso
Carneiro (08,02.2013); e no blog “O Mocorongo”, do jornalista Ércio Bemerguy
(09.02.2013).

Por alguma razão misteriosa, não vi o e-mail do Dr. Vicente
Fonseca me avisando da partida do querido Edwaldo Campos, com a sua Elegia. E só agora, em seu sétimo
dia, tomo conhecimento de que mais um amigo se foi. Publico a oração em sua
memória. Que Deus o receba em paz. 

Compartilhar

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on vk
Share on tumblr
Share on pocket
Share on whatsapp
Share on email
Share on linkedin

Conteúdo relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *