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O Dia Internacional da Água, celebrado em 22 de março de cada ano, é um lembrete essencial para a humanidade de que a água é um recurso finito e que deve ser protegido e preservado para a possibilidade da vida de gerações futuras em nosso planeta. Apesar de sua abundância aparente, a água doce é um recurso limitado, com apenas uma pequena fração do total da água do planeta sendo acessível para uso humano direto. A escassez de água, a poluição, as mudanças climáticas e o acesso desigual à água potável são questões urgentes que exigem ação imediata e cooperação internacional. O acesso à água limpa e segura é um direito humano fundamental e todas as pessoas, independentemente de sua localização geográfica ou condição socioeconômica, devem ter acesso a esse recurso vital, portanto é essencial reconhecer a interconexão entre água, desenvolvimento sustentável e justiça social, e cobrar dos governos ações que garantam este direito às populações.

Neste âmbito, o projeto Salta-Z (Solução Alternativa Coletiva Simplificada de Tratamento de Água) da FUNASA é uma iniciativa voltada para o saneamento básico em áreas rurais. O objetivo principal do projeto é levar água potável e saneamento adequado para comunidades que enfrentam problemas de acesso a esses serviços essenciais. A Prefeitura Municipal de Abaetetuba é parceira do órgão federal e a prefeita Francineti Carvalho explica que a cooperação funciona da seguinte forma: a FUNASA entra com os equipamentos e a prefeitura tem o dever de construir os elevados de alvenaria para que a comunidade possa ter um microssistema de abastecimento de água que purifica a água do rio ao passar por tratamento com uma substância chamada zeólita, que deixa a água em qualidade perfeita para o consumo humano (a zeólita é utilizada para remover contaminantes como íons de metais pesados, amônia, íons de ferro e manganês, entre outros. A escolha do tipo de zeólita e do método de regeneração variam dependendo das características específicas da água a ser tratada, dos contaminantes presentes e das condições locais).

“Estes sistemas estão todos instalados na região das ilhas de Abaetetuba, para o consumo de água nessas regiões que sempre estiveram mais vulneráveis a doenças provocadas pela má qualidade da água, como diarreias, verminoses, especialmente nas crianças. Então, com esse sistema, nós já estamos observando a redução dessas doenças nas vinte e uma localidades onde nós já conseguimos implantar. Os diretores das escolas contam que o índice de faltas das crianças por causa dessas doenças diminuiu e os próprios médicos relatam que há melhoria na água, que o sistema de abastecimento de água melhorou muito e isso contribui diretamente e visivelmente para a saúde, para a qualidade de vida das pessoas”.

Francineti esclarece que a parceria com a FUNASA começou na gestão anterior, porém a implementação do projeto havia sido feita de forma equivocada, pois atribuía às comunidades a responsabilidade de construir os elevados e estas, por falta de recursos, acabavam construído com madeira, que é um material inadequado, que apodrecia, correndo o risco de perder o equipamento. “Encontramos muitos sistemas que não estava em funcionamento, então foi todo um trabalho de recuperação, em adição à construção e implementação”. Além disso, a prefeitura também realiza a capacitação da comunidade para operar o sistema e orienta na utilização dos produtos.

Também dentro do compromisso com a qualidade e preservação da água, Francineti cita outro projeto da prefeitura, coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, que é a revitalização do Igarapé da Castanheira. “O igarapé estava bastante deteriorado, com muito lixo dentro, já não se via mais a presença dos peixes nem das plantas típicas da região, então foi feito todo um trabalho da retirada de entulho para que o igarapé pudesse reviver. Hoje já se percebe a presença da Vitória Régia, de alguns peixes, mas o projeto ainda não está finalizado: ainda estamos trabalhando nele para continuar a revitalização já que ele é muito extenso, atravessa um bairro inteiro. Então nós já conseguimos avançar uma grande parte e continuamos o trabalho”.

A prefeita enfatiza que tanto o Salta-Z quanto a recuperação do Igarapé da Castanheira têm a ver com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): “o nosso programa de governo foi construído em cima dos ODS. Entre eles está a água e saneamento (ODS 6), que tem uma ligação fundamental com a qualidade de vida das pessoas, com a saúde para todos, a redução de doenças. Nós estipulamos metas a serem alcançadas e dentro dessas metas temos programas e projetos que são intersetoriais. O Salta-Z, por exemplo, passa pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento e pela Secretaria de Saúde. O do Igarapé da Castanheira envolve a Secretaria de Meio Ambiente e a Secretaria de Educação, já que lá temos vários projetos onde crianças, adolescentes e idosos fazem visitas e aprendem sobre a importância de manter os igarapés preservados”.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma série de metas globais estabelecidas pelas Nações Unidas para enfrentar os desafios mais urgentes do mundo, abrangendo áreas como erradicação da pobreza, igualdade de gênero, saúde, educação, energia limpa, justiça social e proteção do meio ambiente. São dezessete objetivos interconectados, cada um com metas específicas a serem alcançadas até 2030, e representam um compromisso coletivo para construir um futuro mais sustentável e inclusivo. Essas metas orientam políticas, práticas e investimentos em níveis global, nacional e local, visando transformações positivas em todo o mundo.

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