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“Dizem que em Clevelândia e arredores anda uma misteriosa moça toda vestida de branco, sempre à noite. Ninguém sabe quem é, de onde vem, nem para onde vai. Há muitas histórias sobre a tal moça. Dizem que ela anda na estrada que liga Oiapoque a Clevelândia pedindo carona para os taxistas. Se algum motorista atende, entra no carro e, mais adiante, some de dentro do táxi, deixando o motorista apavorado. Mas, também, se não parar, sente a porta abrir e, quando menos espera, lá está ela sentada tranqüilamente, para em seguida desaparecer.”
Quem assim falou foi o soldado Macedo, 27 anos, natural de Clevelândia e servindo desde 1996 na Companhia Especial de Fronteira. Antes de sentar praça, foi garimpeiro, tendo trabalhado, entre outros, nos garimpos de Sequini e de Erequenen.
A Moça de Branco, como é conhecida na região, nunca fez mal a ninguém, nunca deixou quem a visse assombrado, ou seja, com febre, dor de cabeça e que tivesse que procurar algum pajé para lhe tirar o assombramento. Apenas as pessoas que a vêem se apavoram com o seu súbito desaparecimento…! É conhecida de todos, militares e civis, que já ouviram diversas histórias, inclusive dentro do próprio quartel.
Contam que certa noite um soldado estava de serviço e fazia a ronda de rotina. De repente, lá estava ela, a Moça de Branco. O soldado viu que andava suavemente em direção à FS (Formação Sanitária), equivalente à enfermaria. Viu que ela entrou e ele dirigiu-se para lá. Ao chegar, perguntou ao enfermeiro de dia:
– Onde ela está?
– Ela, quem?
– A moça que entrou aqui agora mesmo, a Moça de Branco…!
– Aqui não entrou ninguém; não entrou nenhuma moça, muito menos uma moça de branco…!
O soldado empalideceu. Recusava-se a acreditar no que ouvia e só depois de certificar-se que realmente ninguém entrara ali foi que aceitou ter visto alguma coisa sobrenatural… A notícia no dia seguinte se espalhou pelo quartel, deixando receosos os soldados que iam fazer a ronda de noite…
Há mesmo quem diga que já houve soldado mais afoito que chegou a atirar em cima dela, nada porém acontecendo com a misteriosa Moça de Branco…
Dizem, ainda, que os moto-taxistas (motoqueiros que transportam passageiros) não aceitam serviço à noite, de jeito nenhum, se o cliente for para Clevelância ou algum ponto da estrada Oiapoque-Clevelândia…! Dizem que não é medo, não! É apenas precaução. Afinal, não gostariam de encontrar a misteriosa Moça de Branco…!
Como você vê, ou melhor, como você lê, sempre há alguma coisa interessante para se ver na Amazônia além de suas belezas naturais. Seja nos centros mais adiantados, seja nos mais distantes rincões, seja finalmente nas fronteiras, há algo diferente para ser apreciado. Que tal na sua próxima viagem você ir ao Oiapoque, no Amapá? Você pode estender um pouquinho a viagem e ir até São Jorge, na Guiana Francesa e – quem sabe? – até conhecer os integrantes da famosa Legião Estrangeira. Ou pode ficar mesmo do lado amapaense e seguir até Clevelândia. Aí, com sorte, pode encontrar a Moça de Branco! Por que será que ela anda sempre de branco? Quem sabe seja apenas uma moça vestida de noiva à procura de marido? E quem sabe se ela está esperando justamente, por você?

Walcyr Monteiro
Escritor, Jornalista, Educador, Poeta, Folclorista, Licenciado em Ciências Sociais e Bacharel em Economia.

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