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Apesar de ser distrito insular de Belém, Caratateua – nome de origem Tupi Guarani que significa “Terra das Grandes Batatas” ou “Lugar das Muitas Batatas” (ali havia plantações de batata-doce em grande quantidade), com cerca de 80 mil habitantes distribuídos nos bairros Itaiteua, São João do Outeiro, Brasília, Água Boa, Fama, Fidelis, Tucumaeira e água Cristalina, Outeiro (nome adotado pela população) é refém do transporte rodoviário. Distante cerca de 25 Km do centro de Belém, ligado ao distrito de Icoaraci através da ponte Governador Enéas Martins, sua população é submetida a verdadeira tortura todas as vezes em que a ponte é interditada por choques de balsas graneleiras ou madeireiras, e não são poucas essas ocasiões, como de novo aconteceu no início desta semana. É uma boa ocasião para rever paradigmas e reverter a distorção histórica na matriz de transporte, aproveitando a localização geográfica privilegiada, na maior bacia hidrográfica do planeta.

Até nos anos 1970 e início da década de 1980, o acesso de Belém a Outeiro era sempre por via fluvial. Com a ponte, construída em 1986, o modal hidroviário, comprovadamente mais barato, mais rápido, mais seguro e ecológico, além de agradável, foi abandonado. A paisagem ribeirinha da viagem foi substituída por um trajeto rodoviário violento, com engarrafamentos diários, atropelamentos e colisões de veículos, poluição sonora e ambiental. Em consequência, gente morta, ferida, mutilada. Pessoas que infartam ou sofrem AVCs no trânsito porque vão chegar atrasadas aos seus compromissos. Qualidade de vida ruim, com alto nível de estresse e respirando gás carbônico dos escapamentos das carretas e ônibus.

O ambientalista Zé Carlos Lima, do Partido Verde, resolveu fazer hoje uma viagem no navio que está sendo ofertado pelo Governo do Pará na travessia a partir do Terminal Hidroviário de Belém ao distrito de Outeiro e vice-versa. Atestou com fotos e vídeos um percurso tranquilo, fora do horário de pico, no meio da manhã, aproveitando o vento da baía do Guajará e a vista da cidade, além do movimento que é próprio do rio, com prática de esportes e transbordo de combustível, por exemplo, no Terminal Petroquímico de Miramar, da Companhia Docas do Pará.

Outeiro poderia ser importante atrativo turístico, gerar novos negócios e empregos, com suas praias de água doce, a orla urbanizada e o artesanato local, mas foi relegado a segundo plano e se tornou periferia de Belém, classificado como área vermelha, de alto risco. Sem ruas pavimentadas nem iluminação pública, mato e lixo proliferando e o tráfico ditando quem vive ou morre. Tanto que agora a prefeitura instalou três refletores na rua Dois de Dezembro – 7ª Rua, onde está sendo feita a travessia, outros dez ao longo da BL-10, além de manutenção emergencial nas ruas que dão acesso à travessia, e hoje de manhã a Seurb iniciou reforço no sistema de iluminação na área do Porto da CDP (antiga Sotave), na área de embarque. Outra medida tomada é o serviço de uma viatura da iluminação pública, para atender a comunidade da ilha.

Hoje o Trapiche Francisco José de Sampaio ficou interditado para a execução de reforço estrutural nas colunas de sustentação e passarelas, cobertura da passarela e instalação de defensas metálicas. O pilar avariado ontem por uma balsa foi recuperado, com substituição de uma estaca de proteção. Por conta disso foi paralisada a operação da balsa e do ferryboat no período de 24h, até às 4h da manhã deste sábado, dia 22. A Prefeitura de Belém liberou durante o dia todo, até amanhã, o transporte de veículos de carga nas balsas. A travessia dos caminhões será feita de forma gradativa, a prioridade de embarque é dos pedestres e veículos de pequeno porte.

Na terça-feira passada, 18, em reunião na Sala de Situação do Ciop, ficou definido limitar a travessia de transporte de carga no horário de 22h até 04h da manhã do dia seguinte. A exceção ficou para caminhão ¾ com capacidade para até três toneladas e caminhão compactador de lixo, a serviço da Secretaria de Saneamento (Sesan), com capacidade para até 18 toneladas.

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