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A Amazônia vibrante e musical de Sebastião Salgado

Na próxima terça-feira (14), às 14h, o fotógrafo Sebastião Salgado mostrará duzentos grandes painéis fotográficos que integram sua exposição “Amazônia”, durante videoconferência transmitida ao vivo pelo canal do Conselho Nacional de Justiça no YouTube, dentro da quinta reunião do Observatório do Meio Ambiente do Poder Judiciário, coordenada pelo CNJ. A mostra internacional estreou em maio deste ano na Filarmônica de Paris e seguirá para Londres, Roma, São Paulo e Rio de Janeiro.

Trata-se de evento raro e singular, uma exposição musical, transbordante de vida, revelando a Amazônia ancestral. E tem a arte adicional de ninguém menos que Jean-Michel Jarre, que compôs a trilha sonora a partir de sons das árvores, rios, pássaros e outros animais da floresta, criando um clima intimista com a mata fechada. Um dos pioneiros da música eletrônica, o compositor francês usou arquivos sonoros do acervo do Museu de Etnografia de Genebra. As fotos foram tiradas entre 2013 e 2019, em viagens de Sebastião Salgado durante seis anos pela Amazônia. A exposição foi concebida e organizada pela esposa do fotógrafo, Lélia Wanick Salgado, e na abertura oficial em Paris um grande concerto com repertório do compositor Villa-Lobos para a Amazônia e projeção de 2.500 fotos foram um presente incrível aos amantes da arte. Para se ter uma ideia, Philip Glass, o compositor de música erudita vivo mais influente do mundo, criou uma peça musical para seis ou sete rios. Versátil, o norte-americano já trabalhou com Björk, Patti Smith, Mick Jagger e David Bowie. No cinema, fez trilhas para diversos filmes, entre eles Koyaanisqatsi (1982), de Godfrey Reggio, e Kundun (1997), de Martin Scorsese, para o qual foi indicado ao Oscar. Patrimônio vivo da música brasileira, o grupo Pau Brasil – integrado desde 2004 por Nelson Ayres, Rodolfo Stroeter, Paulo Bellinati, Teco Cardoso e Ricardo Mosca, que ao longo de trinta anos se destaca na música instrumental contemporânea em carreira internacional – também compôs músicas para a mostra de Sebastião Salgado.

“Queremos que as pessoas que forem ver a exposição tomem ciência do que é a Amazônia. Não é só uma grande planície com grandes rios no centro. Também é a montanha, um sistema de água, os ‘rios voadores’, que chegam a quase todas as regiões do mundo, e as comunidades indígenas”, proclama o lendário fotógrafo, do alto de seus 77 anos.

A mostra inclui imagens pouco conhecidas do país, de matas, rios e montanhas, a exemplo do Monte Roraima, localizado na tríplice fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana e cuja fauna e flora ainda são um mistério para a humanidade. E retrata, ainda, povos indígenas em um modo de vida associado à natureza.

Conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em agosto deste ano a região amazônica registrou mais de 28 mil focos de calor, o terceiro maior número para meses de agosto desde 2010, abaixo apenas de 2019 e de 2020, refletindo a escalada do desmatamento e de atividades ilícitas como garimpo ilegal e contrabando de madeira. A criação do Observatório do Meio Ambiente do Poder Judiciário, em novembro do ano passado, é medida que o CNJ tomou para viabilizar diagnósticos, dar visibilidade a boas práticas, formular políticas e implementar projetos que auxiliem a atividade jurisdicional de combate à degradação do ecossistema. Integrado por representantes do poder público e da sociedade civil, o Observatório tem o objetivo de se tornar um núcleo de referência no acompanhamento e disseminação de dados, informações, instrumentalização de pesquisas, estudos, análises e debates. Sebastião Salgado é um de seus membros.

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