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A ciência produzida na Amazônia acaba de romper as barreiras dos laboratórios e das publicações acadêmicas para se consolidar em um dos espaços mais dinâmicos da contemporaneidade: as redes sociais. O Museu Paraense Emílio Goeldi é o grande vencedor do Prêmio SBPC-TikTok de Divulgação Científica, na categoria “Melhor divulgação científica institucional”.


Mais do que reconhecimento técnico, a premiação celebra a capacidade da instituição de traduzir a complexidade da biodiversidade e das culturas amazônicas em uma linguagem acessível, criativa e rigorosa. Conferiu ao MPEG o prestigiado “selo de qualidade” da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), organizadora do evento em parceria com a plataforma TikTok Brasil.


Para a população do Pará, o Museu Goeldi é um patrimônio afetivo, uma extensão da própria identidade paraense. Ao longo de gerações, os pavilhões e o parque zoobotânico do museu, cravados no coração de Belém, têm sido o cenário de memórias de infância, de passeios familiares e do primeiro contato de milhares de cidadãos com a riqueza de sua própria terra.


Essa conexão íntima e apaixonada se refletiu diretamente na fase de votação popular do prêmio, que dependia do engajamento do público. Diante do chamado, os paraenses responderam com o orgulho característico de quem defende suas raízes, gerando uma onda digital em forma de curtidas, comentários e compartilhamentos. Como bem definiu Joice Santos, coordenadora de projetos do Laboratório de Comunicação Pública da Ciência na Amazônia, a resposta do público provou que a sociedade reage com “paixão e afeto ao material que informa, encanta e emociona”.


O diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, celebrou a conquista destacando a missão social da instituição. Em mensagem à comunidade interna, parabenizou o esforço coletivo liderado por Sue Costa (Coordenadora de Comunicação e Extensão) e Sâmia Batista (Chefe do Serviço de Comunicação Social): “Vocês mostram que a ciência amazônica não deve ficar restrita aos laboratórios e publicações acadêmicas — ela precisa dialogar com as comunidades, influenciar políticas públicas e despertar novas vocações científicas.”


Tarcízio Macedo, pesquisador do LabCom e responsável pela inscrição do museu na chamada, enfatizou a importância de ocupar as plataformas digitais, especialmente para alcançar o público jovem. Para ele, o prêmio atesta que a instituição conseguiu se manter como referência científica ao mesmo tempo em que se modernizou para democratizar o acesso ao conhecimento.


A trajetória vitoriosa do museu na plataforma, cujo perfil foi criado em 2023, foi chancelada por três produções audiovisuais marcantes que encantaram a comissão julgadora e os usuários: a Série “Pioneirismos”, produzida por Sâmia Batista, Joice Santos, Adrya Marinho, Marcos Andrade e Nelson Sanjad, com foco na trajetória da ornitóloga alemã Emilia Snethlage, primeira mulher a dirigir uma instituição de pesquisa na América do Sul (1914); e o legado de Alba Maranhão, uma das primeiras ictiólogas do Brasil, nomeada chefe de Piscicultura em 1941; e o vídeo “Biodiversidade”, com foco na identificação do Microphotina cristalino, uma espécie rara de louva-a-deus com asas translúcidas e iridescentes, com produção de Uriel Pinho e Joice Santos.


A mobilização para a final — que envolveu um vídeo de engajamento produzido por Emerson Ruan, Elis Monteiro, Joice Santos, Tarcízio Macedo, Louise Di Fátima, Matheus Neves, Woltaire Masaki, Odara Gabriele e Gabriela Moura — coroou um processo que movimentou quase 400 mil visualizações em toda a competição nacional.


O pódio da categoria institucional se completou com a Universidade Federal do Ceará (2º lugar) e o Museu da Vida Fiocruz (3º lugar). O Prêmio SBPC-TikTok também laureou perfis consolidados (como Antonio Miranda, Deusa Cientista e Minuto da Terra) e revelações da internet (como Daniel Dahis, Rafael Kraisch e Bia Biology).


A entrega oficial dos troféus, equipamentos e o treinamento oferecido pelo TikTok Brasil serão durante a 78ª Reunião Anual da SBPC, de 26 de julho a 1º de agosto, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). O Museu Goeldi subirá ao palco levando na bagagem o rigor de suas pesquisas e, acima de tudo, o coração e o aplauso orgulhoso dos parauaras.

Foto de Woltaire Masaki/MPEG

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