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A vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, na noite desta sexta-feira (19), na Filadélfia, foi exatamente o que a Seleção Brasileira precisava depois da atuação decepcionante na estreia contra Marrocos. O resultado colocou o Brasil na liderança do Grupo C e deixou a classificação para as oitavas de final bem encaminhada. A equipe comandada por Carlo Ancelotti finalmente apresentou alguns traços de identidade. Com uma característica clara voltada para o jogo em transição rápida, a equipe ditou o ritmo desde os primeiros minutos, acalmando os torcedores mais céticos após o primeiro tropeço.


O grande nome da partida foi Vinícius Júnior. O craque do jogo chamou a responsabilidade, infernizou a defesa haitiana com sua velocidade habitual e abriu o caminho para a vitória com um belo gol. Além dele, a noite foi iluminada para Matheus Cunha, que balançou as redes duas vezes e justificou sua presença entre os titulares. O bom desempenho coletivo no primeiro tempo construiu o placar com autoridade, deixando a impressão de que a engrenagem ofensiva finalmente começava a se ajustar.


No entanto, qualquer análise honesta deste triunfo precisa vir acompanhada da observância da extrema fragilidade do adversário. O Haiti ofereceu pouca ou nenhuma resistência tática e física, funcionando mais como um laboratório de testes do que como um real termômetro para as pretensões brasileiras no torneio.


Nem tudo, porém, foi motivo de comemoração na Filadélfia. A nota preocupante da noite ficou por conta da contusão de Raphinha, que sentiu uma lesão e precisou ser substituído ainda no primeiro tempo. A saída precoce do atacante liga o sinal de alerta na comissão técnica, especialmente em um momento de consolidação de elenco. Por outro lado, o torcedor pôde, enfim, ver a entrada de Endrick em campo. A joia entrou no segundo tempo, trazendo aquela dose de expectativa e energia que a torcida tanto pedia.


Se o saldo da etapa inicial foi positivo, o segundo tempo deixou um gosto amargo de “quero mais”. Diante de um rival já entregue e cansado, o Brasil reduziu excessivamente a intensidade e desperdiçou a oportunidade clara de construir uma goleada histórica. O time deveria ter feito mais gols, testado novas variações e mantido o pé no acelerador.


Agora, a Seleção Brasileira volta suas atenções para a próxima quarta-feira (24), quando definirá sua classificação e a posição final no grupo contra a Escócia, que deve jogar rechada, buscando o empate.


Afinal, golear o Haiti dá os três pontos e o alívio imediato, mas são os desafios contra adversários mais difíceis que dirão se este Brasil de Ancelotti está pronto para encantar o mundo ou se continuará sendo apenas uma promessa de transição.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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