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As inscrições para a primeira edição do Perifa.Doc estão abertas e vão selecionar 40 jovens moradores de Belém e Marabá para um ciclo de formação em cinema documental que se estenderá entre junho e setembro. Gratuito, o projeto combina oficinas audiovisuais, cineclubes, passeios culturais, aulas teóricas e a produção de curtas-metragens voltados às histórias e memórias das periferias amazônicas.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Rolé Brasil e a FavelAcademy, com patrocínio da Vale por meio da Lei de Incentivo à Cultura. A proposta concentra esforços na formação de novos realizadores audiovisuais a partir de narrativas produzidas pelos próprios moradores dos territórios onde vivem.

Podem participar jovens de até 29 anos residentes em Belém e Marabá interessados na produção de documentários artísticos. As inscrições são realizadas gratuitamente pelo formulário online disponível no site oficial do projeto.

Ao longo de três meses, os participantes terão contato com diferentes etapas da criação documental. Além das oficinas práticas e dos cineclubes, a formação inclui oito aulas teóricas que abordam fundamentos do cinema documental, construção de roteiro, estilos narrativos, técnicas de entrevista, captação de som, operação de câmera e processos de montagem.

O percurso formativo também contempla discussões sobre financiamento, distribuição audiovisual e planejamento orçamentário, ampliando o contato dos alunos com o funcionamento do setor cultural para além da produção das obras.

A escolha do Pará para sediar a primeira edição do projeto está relacionada à relevância social dos territórios urbanos do estado. O Pará concentra o terceiro maior ecossistema de pessoas vivendo em favelas no Brasil, reunindo histórias, memórias e experiências frequentemente pouco representadas nos circuitos audiovisuais tradicionais.

Em cada município serão selecionados 20 participantes. Utilizando celulares e kits básicos de equipamentos disponibilizados pela organização, os grupos desenvolverão quatro curtas documentais inspirados em personagens, trajetórias locais, memórias comunitárias e territórios periféricos.

O intuito é estimular a produção de narrativas construídas por quem vive o cotidiano dessas localidades, transformando o audiovisual em instrumento de registro, reflexão e circulação de histórias que normalmente permanecem à margem dos grandes centros produtores de conteúdo.

O professor de roteiro e diretor Leo de Souza Santos, responsável pelas oficinas práticas, destaca que o projeto parte do reconhecimento da capacidade criativa já existente nas comunidades: “o Perifa.Doc nasce do entendimento de que as periferias já têm histórias potentes, olhares criativos e uma vontade latente de narrar seus próprios territórios”.

A equipe de formação também conta com a participação da fundadora do estúdio M’Baraká, Isabel Seixas, e do pesquisador Michel Pinho, que atuarão nas atividades pedagógicas e no acompanhamento dos processos de criação.

As atividades terão início por Marabá. O cronograma local será desenvolvido entre 20 de junho e 6 de julho, período que reunirá oficinas, cineclubes, passeios guiados, encontros com a produção e gravações dos documentários.

Em Belém, a etapa prática começará em 3 de agosto, com atividades previstas até o dia 16 do mesmo mês.

Um dos elementos centrais da metodologia são os chamados “rolés”, caminhadas guiadas pelos territórios que ajudam os participantes a identificar personagens, espaços e histórias que poderão servir de base para os documentários. A atividade integra a atuação da Rolé Brasil, organização que há 14 anos desenvolve ações ligadas à educação patrimonial e à redescoberta de territórios urbanos.

Os passeios serão abertos ao público, sem necessidade de inscrição prévia. Em Marabá, o encontro ocorrerá no dia 20 de junho, às 8h, com concentração na Praça Guimarães, no Pontal, na orla do Rio Tocantins. Em Belém, a atividade está marcada para 2 de agosto, também às 8h, com saída da Companhia das Docas do Pará, na Praça Pedro Teixeira.

Após a fase de produção e finalização, os documentários serão apresentados em sessões públicas programadas para 25 de setembro. Cada cidade receberá duas exibições abertas à comunidade.

As obras também permanecerão disponíveis no site oficial e no canal do Perifa.Doc no YouTube. A expectativa da organização é que os filmes alcancem mais de 15 mil pessoas por meio das plataformas digitais.

Para Michel Pinho, a realização do projeto no estado reforça iniciativas voltadas à valorização dos territórios amazônicos e de suas memórias: “participar do ‘Perifa.Doc’ no Pará é muito simbólico porque fortalece a continuidade de iniciativas que valorizam os territórios e a memória, além de formar jovens através do audiovisual”, afirma.

O Perifa.Doc conta com apoio do Instituto Rolé, da Tuntum Cultura e da Horus Planejamento e Gestão, co-realização do estúdio UM.BA.RA.KÁ e realização da Pressa Filmes, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Foto em destaque: Alysson Thiago

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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