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O vitorioso e excelente técnico Italiano Ancelotti cansou de dizer. Neymar só será convocado se estiver em plena forma. Os patrocinadores contrataram setores da mídia, usaram tv, face e outros e insuflaram a torcida. Quatro dias antes da convocação, o “menino ney” já sabia que estava na lista. Tanto que ao ouvirem seus nomes, em suas casas, com suas famílias, os jogadores festejavam. Neymar e suas Bets invadiram as programações com anúncios. Faturou e entrou. Mas há um problema. A panturrilha do milionário deu problema. A dúvida é se ele já vinha com o problema, escondido, pois precisava jogar para ser chamado e se, pelos médicos do Santos, seu clube, era algo simples e ele podia até treinar. O médico da CBF, que protege sua carreira, mandou examinar e deu o diagnóstico. Só poderá voltar a treinar e entrar em forma em três semanas. Por um lado, o jogador/empresário, lidando com esse imbróglio médico, vai dando respostas financeiras em termos de marketing aos seus patrocinadores. Não se fala da seleção. Somente da panturrilha de Neymar. Na minha opinião, nem deveria ser convocado. A idade já não lhe deixa realizar jogadas. As inúmeras e sérias contusões e operações fizeram do seu corpo uma carga que luta para o inalcançável. E Carlos Ancelotti, que garantiu que somente em forma aceitaria o jogador, também sucumbiu aos patrocinadores, até virou garoto propaganda de cerveja, na minha opinião, perdendo grandes pontos de sua moral, antes inabalável. Foi ludibriado. A seleção voltou a ser um circo, a partir da festa da convocação. Tudo é mal feito, mal pensado, o dinheiro falando mais alto. Um dos goleiros convocados acaba de voltar a jogar após longa recuperação. As laterais têm dois veteranos, o que indica que jogarão fixos sem grandes lances de ataque. O meio tem mais um veterano, Casemiro e companheiros que não lhe chegam aos pés. Uma profusão de atacantes mas ainda não sabemos como atacaremos. Não há um time base. Nossos adversários vêm montando suas equipes há longos anos. Não temos um time. Se o “menino ney” não for cortado, capaz de não resistir à grita geral da mídia, insuflando torcedores, estará em campo para o quê? Vir buscar a bola na defesa, dançar na frente do adversário até ser derrubado e cair rolando pela grama em show já repetido e chato. Ficando com a bola por mais tempo que deve, seus colegas que o admiram como o colega rico que paga lanche, arruma namoradas, sabe onde o melhor pagode, servem de parças, talvez percebam que o time não tem dinâmica, não tem jogo. E após cada partida todas as entrevistas serão para ele, a cada jogo mais propagandas com sua imagem e quando voltarem para casa, talvez ele fique em Las Vegas para um campeonato de poker. Nesse pano verde ele vem muito bem.? Vc foi um dos que cantou “Neymar é seleção”?



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Edyr Augusto Proença
Paraense, escritor, começou a escrever aos 16 anos. Escreveu livros de poesia, teatro, crônicas, contos e romances, estes últimos, lançados nacionalmente pela Editora Boitempo e na França, pela Editions Asphalte. Foto: Ronaldo Rosa

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