Publicado em: 14 de abril de 2026
Hoje, na Alameda Irmãos Nobre, lateral do Teatro da Paz, havia uma balbúrdia que me chamou a atenção. Três ou quatro homens tentavam fustigar um pequeno rato que, coitado, desesperado, dava fintas e sobrevivia. No centro de Belém há muitos ratos. Nas grandes cidades. Nos campos. Assisti a uma matéria na tv mostrando que o metrô de São Paulo tem uma equipe à postos para caçar os roedores nos túneis, todas as noites. Li no Google que a gestação do rato dura vinte dias e seu tempo de vida, dois anos. Ali, em matéria mais extensa, há diversos tamanhos de ratos, mas todos com uma capacidade grande de estrago para os humanos, em forma de doenças, além de destruição de móveis e outros utensílios. Este era, como já disse, pequeno. Um filhote, sei lá. Lembrei das tentativas até bem sucedidas, de fazer as pessoas cuidarem com mais apreço dos ratos, como nos desenhos de Hanna & Barbera, onde Jerry, sempre acossado por Tom, o gato, safava-se com inteligência e graça. Houve até o Super Mouse, com poderes. Pois então, o nosso rato, aqui da escrita, tomou a minha direção, rente à parede, ideal para dar um chute. Armei o pontapé de um De Arrascaeta mas no momento certo, refuguei. Não por medo, nojo, qualquer coisa, assim. Achei covardia. O roedor, em pânico, pequeno, fugindo. Fácil demais. Refuguei. Mas porque não mataste, perguntaram. Ah, deixa pra lá. Enfim, pensei que era uma criatura de Deus, esquecendo do prejuízo que representa para a coletividade. Pensei no ser vivo, na complexidade da vida, naquele corpo frágil, embora com dentes gulosos, e eu a tirar-lhe a vida. Refuguei. Acompanhei em seguida o final da fuga, que não deu certo. Encurralado, agredido, morreu. Eu, umas duas vezes fiz o movimento para impedir, confesso, ao mesmo tempo em que admitia as razões para abatê-lo. Talvez, naquele instante final em que armei o chute, tenha me colocado em seu lugar, desesperado, coração aos saltos, sozinho, procurando um buraco onde se meter, já golpeado por outros chutes, dos quais milagrosamente me esquivei, levando apenas de raspão, sem forças para gritar, enfim. Será que foi uma tolice, pensar demais, afinal, quem ali era o meliante, digamos assim? Enfim, fiquei pensando na minha generosidade, como se fosse uma grande coisa. Grande coisa. O que vocês fariam?
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista



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