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Aos 46 anos, o PT discutiu a conjuntura política, a tática eleitoral em 2026 e o papel do Brasil no mundo em seu 8º congresso nacional, no fim de semana, em Brasília. Lula não foi porque estava em recuperação cirúrgica, mas mandou um vídeo e o vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu com garra a recandidatura de ambos à Presidência da República. Havia banner pedindo a volta do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores à Venezuela. Mas também foi preconizada uma aliança com a direita liberal. Nada muito diferente do que já ocorre, com a notória influência dos tubarões do Congresso que têm ditado os rumos do orçamento nacional.

No que diz respeito ao Pará, alguns ruídos têm deixado um clima tenso no que restou da militância. Há, digamos, uma certa dualidade. Uma espécie de PTdoB. Não que isso seja estranho, já que o partido historicamente mantém suas correntes que divergem entre si.

É que, quando do evento de filiação do deputado Celso Sabino, o ex-ministro José Dirceu ligou para o superintendente da Sudam, Paulo Rocha, pedindo que o prestigiasse, mas ele estava em Brasília. Dirceu ligou para a ex-governadora Ana Júlia Carepa e fez o mesmo pedido. Ela foi, posou com Sabino de mãos levantadas, e a partir daí surgiu um boato de que seria sua 1ª suplente na candidatura ao Senado, o que ela não nega e nem confirma, e ninguém entendeu. Afinal, Sabino jamais se alinhou com as hostes petistas ideologicamente. Foi ministro de Lula, mas também aliado de Bolsonaro. Para muitos petistas históricos, um tiro no pé.

Ademais, o Zé Dirceu é da Construindo um Novo Brasil, e a Ana Júlia de outra vertente. E embora seja membro do Diretório Nacional e um dos mais influentes da CNB, corrente majoritária no PT, Dirceu não fala a mesma língua de Lula às vezes, especialmente quanto ao Pará. Há movimento do Zé e movimento do Lula. Exemplo disso é que o presidente tem combinado tudo com Beto Faro e com Helder Barbalho. E quando combina as coisas com o ex-governador, nem chama o senador para conversar porque considera que não precisa. Tanto que antigamente Lula se referia ao “menino do Jader” e agora trata Helder como protagonista. Uma evidente mudança na sua percepção.

Por outro lado, Dirceu não comanda o PT e não frequenta o Palácio do Planalto, mas é muito articulado, um dos poucos políticos interlocutor dos presidentes e líderes de toda a América do Sul, inclusive a presidente do México. É o que mais circula na cena internacional, e conversa muito com o ex-prefeito de Ananindeua Daniel Santos, o maior antagonista na disputa pelo governo do Pará, a quem já recebeu incontáveis vezes em seu apartamento em Brasília. João Salame, ex-prefeito de Marabá, ex-deputado estadual e articulador da chamada República de Ananindeua, estava na recente festa de 80 anos de Dirceu, cheia de ministros e figurões da República, na qual Paulo Rocha pontificou e Beto Faro não foi.

Zé Dirceu entende não ser boa ideia dar tanto poder aos Barbalhos, deixar o PT só ter estratégia combinada, mas essa não é a linha do PT nacional, e muito menos de Lula, que aposta todas as fichas numa relação com Helder, tanto é que, atendendo a seu pedido, balançou o coreto para tirar o PSB do Dr. Daniel, em movimento que teve o dedo cirúrgico do Palácio do Planalto.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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