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A quinta derrota em nove jogos na Série A de 2026 escancara, por ora, que o Remo ainda não conseguiu se reconhecer no nível da elite. Com apenas 6 pontos conquistados e um aproveitamento de 22%, o time paraense amarga a lanterna da competição, convivendo com a pressão crescente de uma campanha que, rodada após rodada, vai se tornando mais preocupante do que circunstancial.

Diante do Santos, na Vila Belmiro, a derrota por 2 a 0 teve contornos já conhecidos: o Remo até encontrou alguns bons momentos, mostrou organização em trechos do jogo, mas esbarrou naquilo que tem sido seu principal adversário – a própria ineficiência. Faltou contundência, sobrou ansiedade. E, no futebol de alto nível, essa combinação costuma ser fatal.


Do outro lado, brilhou a qualidade decisiva de Neymar. Mesmo sem uma atuação exuberante durante os 90 minutos, foi dele o passe para Thaciano abrir o placar, no primeiro tempo, e também a participação na jogada que terminou no gol de Moisés. É o tipo de jogador que transforma lampejos em vantagem concreta, exatamente o que falta ao Remo neste início de campeonato.


Nem mesmo o momento de tensão no fim, com o terceiro cartão amarelo de Neymar após discussão com Diego Hernández e Picco, foi suficiente para alterar o roteiro. Após a partida, o camisa 10 santista voltou a criticar a arbitragem e protagonizou mais uma declaração infeliz, desviando o foco de um jogo que, dentro de campo, já estava decidido pela diferença de eficiência entre as equipes.


Para o Remo, sobra o desafio de juntar os cacos rapidamente. O próximo compromisso é fora de casa, contra o Grêmio, em Porto Alegre, onde enfrentará um adversário que tem em Carlos Vinícius uma de suas principais armas ofensivas. Mais do que pontuar, será necessário mostrar sinais claros de reação – técnica, emocional e estratégica.
A Série A não perdoa hesitações prolongadas. E o Remo, neste momento, parece preso entre o que pretende ser e o que efetivamente consegue entregar em campo. A pergunta que fica não é apenas sobre escapar da lanterna, mas sobre identidade: que time é esse, afinal?


Porque, no futebol, como na vida, é preciso saber, com alguma clareza, por que se luta e até onde se está disposto a ir para sair do próprio silêncio. A torcida azulina espera a reação dos jogadores e da comissão técnica do Rema.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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