Publicado em: 2 de abril de 2026
O Governo do Brasil anunciou na quarta-feira (1º) um pacote de investimentos superior a R$ 350 milhões voltado ao fortalecimento da sociobioeconomia e da inovação na Amazônia Legal. Os recursos, provenientes do Fundo Amazônia, foram apresentados em Brasília durante o lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), que apresenta um modelo econômico baseado no uso sustentável dos recursos naturais.
A iniciativa combina ciência, produção, cooperativismo e tecnologia com impacto direto previsto para mais de 5 mil famílias e ao menos 60 cooperativas. Também inclui o envolvimento de cerca de 60 Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), sendo 32 localizadas na própria região amazônica.
Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e operado pelo BNDES, o Fundo Amazônia passa a direcionar parte significativa de seus recursos para iniciativas que integram desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. Marina Silva, que deixou o ministério também nesta quarta-feira, destacou que o investimento fortalece a sociobiodiversidade como eixo estratégico do país. “Ao destinarmos recursos do Fundo Amazônia para a sociobioeconomia e a inovação no bioma, viabilizamos a geração de prosperidade para as brasileiras e brasileiros por meio do uso sustentável dos recursos naturais. Este investimento será fundamental para colocar em prática as metas do PNDBio relacionadas à sociobiodiversidade, dando impulso à transformação da bioeconomia em pilar fundamental do desenvolvimento sustentável no Brasil”, afirmou.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, enfatizou o papel das iniciativas como instrumento de transformação econômica com base em práticas sustentáveis. Segundo ele, apoiar cooperativas e comunidades tradicionais também significa enfrentar a crise climática. “O Brasil está estruturando uma política de bioeconomia que integra desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. O Fundo Amazônia é um instrumento estratégico para transformar esse potencial em realidade, apoiando quem produz, quem inova e quem protege a floresta”, disse.
Entre os projetos contemplados, o Coopera+ Amazônia concentra R$ 107,2 milhões, sendo R$ 103,5 milhões oriundos do Fundo Amazônia e R$ 3,7 milhões do Sebrae. A proposta envolve a atuação conjunta de órgãos federais como MMA, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Embrapa e Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A iniciativa pretende fortalecer 50 cooperativas distribuídas em cinco estados da Amazônia Legal, alcançando diretamente mais de 3 mil famílias.
O projeto incide sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas, como açaí, babaçu, castanha-da-amazônia e cupuaçu. As ações incluem capacitação, assistência técnica, estímulo ao cooperativismo e ampliação do acesso a mercados. Do total investido, R$ 62 milhões serão direcionados à compra de máquinas e equipamentos voltados ao processamento, armazenamento e comercialização dos produtos.
A metodologia Agente Local de Inovação para Cooperativas (ALI Coop), desenvolvida pelo Sebrae, será aplicada para promover melhorias na gestão e na produção, com foco em aumento de produtividade e redução da penosidade do trabalho. O plano também prevê a criação de um escritório de negócios e iniciativas de reconhecimento territorial.
Dados de 2023 indicam que a Amazônia Legal possui 218 cooperativas de agricultura familiar com Declaração de Aptidão ao Pronaf ativa, reunindo 15.826 cooperados. O Coopera+ Amazônia, ao alcançar 6.444 cooperados, deve impactar cerca de 40,7% desse público e 22,9% das cooperativas formalmente registradas.
Outro eixo do pacote é o projeto “Cooperar com a Floresta: Consolidando Cadeias Agroextrativistas no Acre”, com aporte de R$ 69 milhões. A ação será executada junto à rede Cooperacre, abrangendo 10 cooperativas em 12 municípios e beneficiando diretamente 2.500 famílias. O foco está no fortalecimento das cadeias de polpa de frutas e café, com medidas voltadas à qualidade dos produtos, aumento da produtividade e melhoria da logística.
Entre as ações previstas estão a implantação de Sistemas de Produção Agroextrativistas (SPAs) em áreas degradadas, a construção de viveiros de mudas, a aquisição de equipamentos para beneficiamento e armazenamento e a formação de equipes permanentes de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). Também está prevista a criação de entrepostos logísticos para facilitar o escoamento da produção.
No campo da inovação, o programa “Desafios da Amazônia” receberá R$ 181,3 milhões. Executado pela Fundação Arthur Bernardes (Funarbe) em parceria com o Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), no âmbito da iniciativa Amazônia+10, o projeto busca integrar ciência, tecnologia e conhecimento tradicional em um modelo de desenvolvimento sustentável.
A proposta prevê a articulação entre Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) e Organizações Socioprodutivas (OSPs), envolvendo pelo menos 60 instituições de cada grupo. O programa inclui ações de capacitação e fortalecimento institucional, especialmente junto às Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) e aos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs). A expectativa é impulsionar entre 10 e 15 cadeias produtivas da sociobioeconomia na região.
Criado em 2008, o Fundo Amazônia é reconhecido como a maior iniciativa global de financiamento baseada em resultados para a redução de emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+). Entre 2023 e 2025, aprovou e contratou cerca de R$ 4 bilhões em 50 projetos, o equivalente a 58% de todo o volume apoiado desde sua criação, consolidando sua retomada e expansão operacional.
O novo pacote de investimentos se insere em uma estratégia mais ampla de reposicionamento da Amazônia como eixo de desenvolvimento sustentável, combinando conservação ambiental, geração de renda e produção de conhecimento científico.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil









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