Publicado em: 31 de março de 2026
O Projeto Saúde e Alegria (PSA) prorrogou edital para selecionar empresa de engenharia responsável pela reabilitação do Posto de Estratégia de Saúde da Família da comunidade Vila Calheira, situada na zona rural de Curralinho, no Marajó.
A medida busca melhorar as condições físicas da unidade e ampliar o acesso aos serviços de saúde para moradores da região, onde o atendimento ainda enfrenta limitações estruturais típicas de territórios ribeirinhos. As propostas devem ser enviadas até o dia 13 de abril de 2026, exclusivamente pelo e-mail editais@saudeealegria.org.br. O edital completo está disponível no site da organização.
A contratação acontece no contexto de atuação mais ampla do PSA, organização da sociedade civil criada em 1987 e voltada à promoção de desenvolvimento comunitário integrado e sustentável na Amazônia. A entidade trabalha diretamente com populações tradicionais, principalmente em áreas rurais de Santarém, Belterra, Aveiro e Juruti, no oeste do Pará, alcançando cerca de 30 mil moradores.
Nesses territórios, marcados por isolamento geográfico e vulnerabilidades sociais, a atuação da organização combina assistência direta e estratégias de mobilização comunitária. As ações são estruturadas a partir de metodologias participativas que envolvem moradores no diagnóstico, planejamento e execução das iniciativas, com o objetivo de garantir resultados duradouros e autonomia local.
Além da área da saúde, que inclui atendimento comunitário, saneamento e prevenção, o PSA desenvolve projetos voltados ao ordenamento territorial, à organização social e ao fortalecimento de direitos humanos. A atuação também abrange iniciativas de geração de renda por meio da produção agroextrativista, incentivo à economia da floresta, turismo de base comunitária, artesanato e uso de energias renováveis.
A organização investe ainda em educação, cultura e comunicação, com programas que complementam o ensino formal e valorizam saberes locais. Entre eles estão o Gran Circo Mocorongo, que promove apresentações culturais com conteúdos educativos, e a Rede Mocoronga de Comunicação, voltada à formação de jovens para produção e difusão de conteúdos midiáticos.
Esse modelo de intervenção se baseia na formação de lideranças locais e na multiplicação de conhecimento dentro das próprias comunidades. Agricultores, professores, agentes de saúde, mulheres, jovens e crianças participam ativamente das ações, tornando-se agentes de transformação nos territórios onde vivem.
O histórico do PSA remonta a uma experiência iniciada em 1983 pelo médico sanitarista Eugênio Scannavino Netto e pela arte-educadora Márcia Gama, então envolvidos em ações de saúde pública em comunidades ribeirinhas de Santarém. A proposta, que combinava assistência com educação e mobilização social, foi interrompida após mudanças na gestão municipal, mas deu origem à criação do Centro de Estudos Avançados de Promoção Social e Ambiental (CEAPS), responsável pela execução do projeto.
Desde então, a iniciativa contou com apoio de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade Federal do Pará (UFPA), o Unicef e financiamento inicial do BNDES. Ao longo dos anos, o trabalho se expandiu, incorporando novas frentes de atuação e consolidando uma abordagem voltada à autogestão comunitária.
Atualmente, além de atender diretamente milhares de pessoas, o PSA também atua na disseminação de suas metodologias, sendo procurado por instituições públicas, organizações sociais e movimentos interessados em replicar experiências de desenvolvimento sustentável em outras regiões do Brasil e fora dele.










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