Publicado em: 24 de março de 2026
Após um período de interrupção, o Museu Paraense Emílio Goeldi voltou a receber estudantes no Clube de Pesquisadores Mirins (CPM), iniciativa dedicada à introdução científica de jovens que, ao longo de 2026, participarão de atividades práticas e teóricas voltadas à produção de conhecimento. Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o projeto reúne cerca de 50 novos integrantes, distribuídos em duas turmas com abordagens distintas.
As atividades começaram nesta semana, com a formação “Jardim das Ciências”, que reúne mais de 20 estudantes e propõe uma abordagem interdisciplinar envolvendo biologia, física, química, fungos, plantas e bactérias. Em seguida, a turma “Planeta Animal – da lupa ao binóculo” inicia seu percurso com foco nas relações entre espécies e no vínculo entre a fauna amazônica e os modos de vida da população da região.
Ao longo do ano, os participantes terão encontros semanais que incluem oficinas, pesquisas de campo, visitas às coleções científicas e circulação por diferentes espaços do Museu, incluindo o Parque Zoobotânico e o campus de pesquisa localizado no bairro da Terra Firme. A proposta é combinar teoria e prática em um processo contínuo de experimentação e observação.
Durante a recepção realizada no Parque Zoobotânico, a coordenadora de Comunicação e Extensão, Sue Costa, destacou a retomada das atividades após a suspensão ocorrida no ano anterior, motivada por obras de manutenção e pela intensa programação institucional relacionada à preparação para a COP30. Ela afirmou que a reabertura do Clube de Pesquisadores Mirins representa um momento de satisfação para a instituição e expressou o desejo de que a experiência seja marcante para os participantes. Também ressaltou a expectativa de aprimorar o projeto, com mais infraestrutura e ampliação de vagas nos próximos anos, além de acompanhar de perto o desenvolvimento dos estudantes ao longo das atividades, incentivando o aprendizado e o contato com a produção científica.
O primeiro encontro também reuniu familiares e integrantes da equipe técnica da instituição, incluindo representantes da museologia, do serviço educativo e da gestão do Parque Zoobotânico. Na ocasião, foram apresentadas as diretrizes do programa, os horários, os espaços de atuação e a dinâmica das atividades previstas para a edição de 2026.

Entre os novos participantes, a expectativa é de ampliar o contato com práticas científicas e fortalecer trajetórias acadêmicas futuras. A estudante Júlia Bechara, de 13 anos, afirmou que espera vivenciar um ano marcado por descobertas e experimentos. Já Saulo da Rocha, de 14 anos, destacou que conheceu o projeto por meio das redes sociais e apontou o interesse em se aproximar de pessoas com afinidade em pesquisa e investigação, além de construir um currículo científico. Ele também ressaltou que, apesar do interesse pela área, teve pouco acesso a experiências práticas e desenvolveu parte de seus conhecimentos de forma autodidata, incluindo o aprendizado de inglês pela internet. Para ele, a iniciativa pode contribuir para estimular a produção a partir das habilidades que já possui.
Criado em 1997, o CPM foi idealizado pelo técnico Luiz Fernando Fagury Videira, que atua no Museu desde 1985. A proposta surgiu como alternativa às visitas orientadas já existentes, com o objetivo de oferecer uma experiência mais aprofundada de iniciação científica para o público infantojuvenil. Ao longo dos anos, o projeto passou por ajustes metodológicos e ampliação de escopo.
Para a edição atual, uma das novidades apontadas pelo idealizador é a aproximação direta entre estudantes e pesquisadores da instituição, em um modelo de acompanhamento mais próximo. Ele destacou que o projeto vem, desde 1997, sendo desenvolvido com foco no estímulo à iniciação científica e que, ao longo do tempo, passou por aprimoramentos. Segundo ele, a expectativa é de que, neste ano, o Clube seja fortalecido com a maior proximidade entre os jovens e os pesquisadores do Museu, que passarão a acompanhar mais de perto as atividades desenvolvidas, em uma dinâmica de orientação semelhante a um sistema de apadrinhamento científico.

A coordenação pedagógica do projeto também enfatiza a dimensão social da formação científica. De acordo com a chefe do Serviço de Educação, Mayara Larrys, a proposta ultrapassa a transmissão de conteúdos e busca promover uma compreensão crítica da ciência como processo histórico e social. Ela ressaltou a importância de discutir a ciência como instrumento de enfrentamento ao racismo, às mudanças climáticas e ao aquecimento global, além de destacá-la como ferramenta de empoderamento. Também apontou que, por meio de oficinas e experiências em laboratórios e coleções, o projeto pretende aproximar os participantes da pesquisa desenvolvida no Museu, articulando esse conhecimento à comunicação e à divulgação científica ao longo do ano.
As atividades incluem o uso de materiais didáticos, jogos, vídeos e bibliografia especializada, além da produção de trabalhos que serão posteriormente apresentados ao público. O processo seletivo foi realizado entre fevereiro e março.
Foto em destaque: Matheus Neves / MPEG









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