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O professor, publicitário, pesquisador e palestrante Dado Schneider, pós-graduado em Marketing, mestre e doutor em Comunicação, embaixador da Campus Party, veio a Belém fazer uma palestra em evento corporativo com foco no relacionamento com a imprensa. Antes dele, vários executivos fizeram curtas exposições. O ambiente era informal, com os convidados circulando e, ao chegar, preferi ficar algum tempo de pé, a fim de compensar as muitas horas anteriores sentada, obviamente em local que não atrapalhasse os demais. Depois, fui cumprimentar uma coleguinha que estava mais ao fundo, e sentei ao lado dela. Dado Schneider estava ao lado e se apresentou como o palestrante da noite, já advertindo que não permitiria que ficássemos ali durante sua fala.

Cansada demais para retrucar, nada respondi, e alguns minutos depois fui tomar água e me acomodei em outro lugar. Dado abordou temas como Geração Z no mercado de trabalho, adaptação às tecnologias e inovação, sua palestra marcada pelo constante estalar de dedos chamando a atenção de toda a plateia para que olhasse para ele, pedindo fotos e posando para elas com seus slides.

Dado trabalhou em agências renomadas como a DM9, Ogilvy e MPM, criou a marca Claro e foi “evangelizador digital” do Magazine Luiza em 2015. Sua performance é festejada no Sudeste mas parece que em Belém esqueceu que é a atmosfera de semiótica que envolve e prende a atenção de todos. É uma chatice o seu estalar de dedos, como se a plateia fosse de crianças em uma escolinha, ao invés de profissionais.

Pois bem. Não satisfeito em estalar seus dedos, ele chamou por várias vezes e até interrompeu sua atuação, reclamando que uma jornalista, ninguém menos que Ivana Oliveira, não parava de falar. Claro que todo mundo olhou para ela, que ficou constrangida.

Ivana tem mais de trinta anos de carreira, é doutora em Ciências do Desenvolvimento Socioambiental pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA/PPGDSTU/UFPA), professora, há 28 anos, do Programa de Pós Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura e dos cursos de Jornalismo e Publicidade da Universidade da Amazônia, pesquisadora de Sociedade e Representações da/na Amazônia (Unama|CNPq), Mídia e Violência: percepções e representações na Amazônia (UFPA | CNPq), Narrativas Contemporâneas na Amazônia Paraense (Narramazônia | UFPA | Unama); e Educação, Cultura e Meio Ambiente (GEAM /UFPA). E, de quebra, sócia da JamboComunicação, a agência que organizou o evento, motivo pelo qual precisava interagir com as pessoas, competente e querida que é. Definitivamente, não merece tal tratamento.

Ao manifestar minha total solidariedade a Ivana, minha amiga e confreira na Academia Paraense de Jornalismo, aproveito para propor aos empresários que atuam na região uma reflexão acerca da escolha de palestrantes. O Pará tem um celeiro de intelectuais, com nível de excelência superior, vasta experiência e profundo conhecimento técnico, com o diferencial da vivência no mercado amazônico. Tal qual ocorre na música, nas artes plásticas, na arquitetura e outras áreas, sempre são subestimados para privilegiar os “de fora”, que muitas vezes nada acrescentam.


Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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