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O Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP) realizará na sexta-feira, 6 de março, às 16h, em Belém, uma palestra dedicada à análise das interpretações históricas que minimizaram ou negaram a presença da escravidão africana na formação social da Amazônia. O evento terá como tema “Desvendando a Ideia do Não-Lugar da Escravidão na Amazônia” e será conduzido pelo historiador Prof. Dr. José Maia Bezerra Neto.

A atividade ocorrerá no Solar Barão do Guajará, sede do IHGP, localizada na Praça Dom Pedro II, nº 62, na Cidade Velha, em frente à antiga rua Thomázia Perdigão, atualmente avenida Almirante Tamandaré. A participação é gratuita e aberta ao público, com inscrições realizadas no próprio local antes do início da palestra. Os participantes receberão certificação.

A iniciativa marca a abertura da agenda acadêmica de 2026 do grupo de pesquisa Academia do Peixe Frito, coordenado pelo professor Paulo Nunes. A realização envolve cooperação institucional entre o Instituto Histórico e Geográfico do Pará, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Pará (PPGCOM/UFPA) e o Programa de Pós-Graduação em Linguagens e Cultura da Universidade da Amazônia (PPGLC/Unama).

O debate proposto pelo encontro examina a construção historiográfica que sustentou a tese de que a escravidão africana teria desempenhado papel marginal na Amazônia. A exposição analisa como essa interpretação foi formulada e reproduzida ao longo do tempo, apesar de evidências demográficas, econômicas e culturais que indicam participação significativa da população negra escravizada na formação da sociedade amazônica.

A investigação percorre diferentes momentos da produção intelectual sobre a região. O ponto inicial escolhido para a análise é a obra do intelectual e político liberal Tavares Bastos, figura relevante do século XIX, cujas reflexões influenciaram interpretações posteriores sobre a Amazônia. Em seguida, o percurso historiográfico alcança autores como José Veríssimo e se estende até formulações produzidas no século XX.

O objetivo é compreender como se consolidou a ideia de que a presença africana escravizada teria sido pouco relevante para o desenvolvimento social e econômico da região. A discussão busca examinar as bases teóricas e ideológicas dessa interpretação, confrontando-a com registros históricos que apontam participação expressiva da população negra na estrutura produtiva e cultural amazônica.

Entre os temas abordados estão as relações entre escravidão, economia regional e formação social. O debate inclui também a análise das perspectivas interpretativas que influenciaram a historiografia da região, como as leituras baseadas na oposição entre centro e periferia ou na dualidade entre extrativismo e agricultura.

Outro eixo da discussão envolve a hipótese de que a formulação da tese do “não-lugar” da escravidão africana na Amazônia pode ter sido associada a uma perspectiva ideológica de embranquecimento da sociedade. A palestra propõe avaliar até que ponto essa narrativa contribuiu para invisibilizar a presença negra na história regional.

Responsável pela exposição, o historiador José Maia Bezerra Neto atua há décadas na pesquisa sobre escravidão, abolicionismo e história social da Amazônia. Ele possui graduação em História (bacharelado e licenciatura plena) pela Universidade Federal do Pará. Também realizou especialização em Teoria Antropológica na UFPA.

Sua formação acadêmica inclui mestrado em História Social do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas e doutorado em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

José Maia Bezerra Neto é professor associado da Faculdade de História da Universidade Federal do Pará e integra o Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia, vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da instituição. Na área de pesquisa, lidera o Grupo de Pesquisa Escravidão e Abolicionismo na Amazônia (GEPEAM), cadastrado no CNPq, e participa do Grupo de Pesquisa História do Abastecimento e da Alimentação na Amazônia (ALERE).

Suas investigações concentram-se principalmente em temas como história intelectual, historiografia da escravidão, relações raciais, história social da educação e história das instituições. Também desenvolve estudos sobre memória histórica e processos de formação social na Amazônia, no Pará e no Brasil.

No campo institucional, o pesquisador ocupa desde 2011 o cargo de vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Pará. É sócio efetivo da entidade, na qual ocupa a cadeira nº 38. Além disso, integra a Sociedade Literária e Beneficente “Cinco de Agosto” e é membro da Associação Nacional de História (ANPUH), núcleo do Pará.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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