0
 

A Região Norte apresenta o menor índice de apoio ao fim da jornada de trabalho 6×1 no país e, simultaneamente, o maior percentual de rejeição à proposta. É o que aponta levantamento da Nexus realizado entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro com 2.021 entrevistados a partir de 16 anos nas 27 Unidades da Federação.

Enquanto 63% dos brasileiros se declaram favoráveis ao fim da escala 6×1, no Norte esse percentual cai para 51%. A rejeição, que na média nacional é de 22%, atinge 33% entre os nortistas. Em comparação regional, o Sudeste registra 67% de apoio e o Nordeste, 66%, ambos acima da média do país.

Apesar da maior resistência, o Norte apresenta um dos níveis mais elevados de acompanhamento do debate legislativo. Segundo a pesquisa, 15% dos entrevistados na região afirmam conhecer e entender muito sobre as discussões envolvendo o fim da jornada 6×1. O índice é superior à média nacional, de 12%, e supera o Sul (9%), o Nordeste (7%) e o Centro-Oeste (5%), ficando atrás apenas do Sudeste, com 18%.

Ao mesmo tempo, 33% dos nortistas dizem nunca ter ouvido falar no tema, proporção inferior à registrada no Nordeste (46%) e no Centro-Oeste (48%). O dado indica que a rejeição regional não decorre, majoritariamente, de desconhecimento do assunto.

Outro aspecto revelado pelo estudo é a relação entre apoio à proposta e eventual redução salarial. No Norte, 40% dos apoiadores afirmam que deixariam de apoiar o fim da 6×1 caso a mudança implicasse diminuição nos rendimentos. Trata-se do menor índice do país. A média nacional é de 48%, o que significa que quase metade dos brasileiros favoráveis condiciona o apoio à manutenção do salário.

A diferença torna-se mais evidente quando comparada a outras regiões. No Centro-Oeste, 60% dos apoiadores recuariam diante de corte no contracheque. No Nordeste, o percentual é de 50%. No Sudeste, 48%, e no Sul, 41%.

Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os dados revelam um padrão específico no Norte. “No Norte, vemos uma combinação relevante entre maior rejeição e alto nível de conhecimento sobre o tema, o que mostra que a posição mais crítica não nasce da desinformação, mas de uma avaliação dos impactos. Ao mesmo tempo, os apoiadores da região são os menos propensos a desistir da proposta mesmo com possível redução salarial, indicando que, para parte da população, o debate sobre a escala 6×1 envolve prioridades estruturais sobre jornada e qualidade de vida”, afirma.

A combinação de maior rejeição com maior estabilidade entre os que apoiam a mudança sugere um cenário polarizado, porém fundamentado. A parcela contrária ao projeto parece avaliar possíveis impactos econômicos e ocupacionais, enquanto o grupo favorável demonstra disposição maior a priorizar a reorganização da jornada mesmo diante de perdas financeiras.

O contraste regional evidencia que o debate sobre a escala 6×1 não é homogêneo no país. No Norte, onde o apoio é mais baixo, a opinião pública revela maior consistência interna, já que quem rejeita tende a fazê-lo com base em avaliação dos efeitos práticos, e quem apoia demonstra menor sensibilidade a eventuais cortes salariais.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

Leilão do Ministério das Comunicações ampliará cobertura 5G a 86 municípios do Pará

Anterior

Você pode gostar

Mais de Notícias

Comentários