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A falta de decência na política não tem limites. O País inteiro já sabe que o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, foi apontado em delação premiada pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa como envolvido no esquema de desvio de dinheiro que vem depenando a antigamente mais poderosa estatal do mundo. O ministro Lobão também foi acusado de montar esquema para ter o domínio na retomada da exploração do ouro em Serra Pelada, no sul do Pará. Vídeos mostram que os garimpeiros chamam-no de “patrão”. O MP descobriu que o escritório que representa interesses da família Lobão, no Maranhão, constava em uma planilha de pagamentos da Coomigasp, a cooperativa dos garimpeiros. Também é suspeito de manipular em favor da mineradora Colossus um contrato para a exploração de ouro na região. Agora li na coluna “Holofote” da revista Veja que um importante financiador da campanha eleitoral doou R$30 milhões ao PMDB e o entregou a ninguém menos que o ministro Lobão. Mas, desconfiado, checou se os destinatários tinham recebido seu respectivo quinhão. Não tinham. Os correligionários imaginam que a dinheirama esteja irrigando a campanha do senador Lobão Filho(PMDB), primogênito do ministro, que é candidato ao governo do Maranhão. E correram para pedir ajuda ao senador José Sarney a fim de que ele entregue a cada um a sua parte.

Que república (sim, com “r” minúsculo, para reforçar sua decadência moral) é esta que tem em seu Ministério tal personagem? Como falar de ética na política se ninguém toma providências efetivas e eficazes ante tal escândalo?

Tudo porque o destino da nação tem sido traçado na calada da noite. Sujeita a res publica à visibilidade de todos, o poder se autolimita ou é limitado pelo controle social, este uma das diretrizes da lei da Transparência Pública, cujos procedimentos se destinam a assegurar o direito fundamental de acesso à informação e os princípios básicos da administração pública.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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