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400 Anos de Vigia de Nazaré

A Praça da Matriz lotou de fiéis, hoje, na missa campal em ação de graças celebrada pelo bispo Dom Carlos Verzeletti. Ainda há pouco atracou ao trapiche municipal a embarcação com os padres e o bispo, simulando a chegada dos jesuítas em terras vigilengas em 6 de janeiro de 1616, assim como a Coroa Portuguesa. O espaço cultural é o palco do grande evento, com fogos de artifício e bolo, em que a população cantou os parabéns para a cidade mais antiga do Pará. A novidade é o padre sertanejo Alessandro Campos em apresentação no município célebre pelo talento musical de seus habitantes, que mantém cinco escolas de música atendendo cerca de mil jovens, e onde pontificam com muito brilho o Clube Musical União Vigiense, a Banda Maestro Vale, a Banda Isidoro de Castro, a Banda 25 de Dezembro e a Banda 31 de Agosto, além da centenária Sociedade Literária “Cinco de Agosto”, que inaugurou recentemente mostra de diversos artistas da terra, homenageando os 400 anos de Vigia de Nazaré. 

No município riquíssimo por sua história e manifestações culturais, o antigo Grupo Escolar Barão de Guajará hoje abriga, desde 2004, o museu da cidade, que mantém o nome em homenagem ao filho mais ilustre de Vigia, o historiador Domingos Antônio Raiol. 


No museu dá para saber, por exemplo, que em 1727 o militar Francisco de Melo Palheta foi convocado pelo governador do então Estado do Grão-Pará e Maranhão, Maia da Gama, para comandar a missão de resolver problemas de demarcação territorial entre o norte do Brasil e a Guiana Francesa.
Em Caiena, ele teria se envolvido amorosamente com a esposa do governador da Guiana, D’Ovilier. E esta teria lhe presenteado – às escondidas – alguns sacos contendo mudas de cafeeiro, planta até então desconhecida no Brasil.
Após concluir a missão, Palheta retornou ao Brasil e plantou as mudas em suas terras, localizadas no entorno da Vila de Nossa Senhora de Nazaré da Vigia, entre os igarapés Arapijó e Guajará.
A introdução do café no norte brasileiro se expandiu e a cultura cafeeira se tornou uma das mais importantes para o País, principalmente na era colonial e imperial, quando a atividade sustentou a economia brasileira.
O que se sabe sobre a origem de Palheta é que ele era descendente de portugueses e, possivelmente, vigiense. 

Os rituais antropofágicos também estão documentados no museu, que recebe rotineiramente os estudantes da rede pública para pesquisas. As curiosidades são muitas. Consta no Memorial Primeiros Habitantes que os índios Tupinambás – primeiros habitantes do lugar – comiam gente. Mas não eram meramente canibais, conforme os relatos históricos. Só comiam – vejam só! – seus inimigos (e apenas os nobres e corajosos) “por vingança”, a fim de absorver sua força e coragem. E geralmente as aldeias eram fortificadas e, no alto das estacas da cerca, fincados os crânios daqueles levados ao sacrifício.

Já no Memorial da Escravidão fato curioso é que os escravos doentes ou incapacitados para o trabalho pesado eram encarregados de modelar em barro, usando as próprias coxas, as telhas das casas. O problema é que os escravos – obviamente – tinham coxas em formato e tamanho diferentes, razão pela qual as telhas, depois de prontas, ficavam desiguais. Em consequência, o telhado ficava torto, desalinhado. Daí surgiu a expressão “feito nas coxas”. 


O movimento da Cabanagem, que se espalhou pelo interior do Pará em 1835, atingiu também a então Vila da Vigia de Nazaré. Para fugir dos cabanos que tentavam tomar o poder, as autoridades do Legislativo e os militares vigienses se refugiaram no prédio denominado Trem de Guerra, moradia e local de trabalho do Juiz de Paz do município, João de Sousa Ataíde. A edificação, por guardar as armas e munições da guarda municipal vigiense, era também conhecida como Quartel.
Construída em taipa e cobertura em telha de barro, mais tarde foi vendida a Jerônimo Magno Monteiro, que a desmembrou em duas, ficou em uma como residência e vendeu a outra à Prefeitura. Em 1990, na gestão Noé Palheta, o 
Trem de Guerra foi totalmente demolido e reconstruído com materiais contemporâneos, em alvenaria de tijolo, mantendo parcialmente as características arquitetônicas originais. 

Ícone da Vigia,  a Igreja Madre de Deus foi construída com porte de catedral e grande riqueza interna. Sua fachada se parece com a da igreja de Santo Alexandre, em Belém, pelas grandes volutas de seus frontispícios, tendo sido sagradas no mesmo ano. Conserva suas linhas originais, mas seu acervo sacro foi deteriorado pelo tempo.
Dedicada a Nossa Senhora de Nazaré, foi construída em estilo barroco no século XVIII em alvenaria de pedra, estrutura do telhado em madeira de lei, cobertura com telha de barro, frontispício formado por um corpo central e duas torres com campanários compostos por três janelões, sineiros de arco de meio ponto, corpo central marcado pelo frontão de volutas simétricas. A igreja foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan) em 14 de dezembro de 1954. Alguns pesquisadores, incluindo o historiador José Ildone, acreditam que seja a única, no Brasil, com 22 colunas laterais de origem toscana. 

A chamada “igreja de pedra” é um símbolo marcante de Vigia. Foi construída em 1739, pelos padres jesuítas José de Souza e Caetano Xavier, com a contribuição do padre Malagrida. Em 1759, com a prisão e expulsão dos jesuítas das províncias do Brasil, o templo ficou inacabado. Ganhou, então, a participação dos negros e índios sob a coordenação dos padres, que faziam o trabalho de catequese. Toda em pedra, a argamassa era produzida com areia, barro e cal de sernambi (ostra marinha, que era torrada, depois pilada para produzir o cal misturado à massa, acrescida de grude da gurijuba para dar consistência). Mas, nos anos 1930, o intendente Jorge Correia mandou demolir as paredes da nave central, para construir parte do cais de arrimo e da usina de luz do município.
Essa atitude fez com que a comunidade, liderada por Dona Maritó, esposa de Júlio Bulhões da Trindade, forte comerciante e ambos devotos do Senhor dos Passos, passassem a fazer vendas de mingau e leilões para arrecadar recursos que permitissem o fechamento em alvenaria do arco-cruzeiro, a construção do coro e da platibanda do frontão, dessa forma ganhando portas e janelas, dando assim mais segurança às peças do seu acervo. Capela sem torre, o sino está em janela lateral. Com a introdução do culto ao Senhor dos Passos, explica-se o primeiro nome: “Capela do Bom Jesus”.

Todas as fotos são do acervo do Museu da Vigia.

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