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Se estivesse viva, minha mãe estaria festejando seu aniversário. Desde cedo ela iria para uma casa que tínhamos no Lago Azul. Comandaria uma equipe formada por filhos, noras, netos, alguns “chegados” e enfeitaria a casa e o quintal com enfeites da época de São João. Prepararia com esmero um banho cheiroso que depois ficaria à disposição dos visitantes. Não haveria quem tirasse seu bom humor. Um toca-discos que também levava, tocava um repertório de época. Lembrava dos tempos de criança, seus pais, suas irmãs, contando histórias inesquecíveis. A partir do começo da noite, chegavam os filhos que já trabalhavam e o pai, seguidos de parentes e amigos. Imaginem uma casa em festa, toda iluminada, uma fogueira queimando, crianças correndo sem parar, algumas, mais taludas, soltando bombas juninas e um grupo de adultos animados conversando, até que em determinada hora, meu pai e seus amigos seresteiros sacavam seus instrumentos. Uma roda era feita e aí, sim, começava, com efeito, a comemoração. Cantavam até quase o amanhecer do outro dia. Isso é que era farra!


Num dia como hoje, vocês não imaginam a falta que ela me faz. O que pretendo dizer, nesta reflexão, é que talvez, naquela época, ficávamos felizes por ela. Não faltávamos à festa. Mas, fustigados pelo dia a dia, nossos compromissos, as contas a pagar, nossos problemas diários, talvez, muitas vezes, não tenhamos festejado com a intensidade devida. Os que já perderam suas mães, sabem a falta que elas nos fazem. Não sei vocês, mas quando lembro de Celeste Proença e seu rosto feliz, em plena alegria de seu aniversário naquela casa do Lago Azul, tenho vontade de voltar lá, correr e abraça-la, beija-la, dizer da felicidade em tê-la conosco, agradecer por tudo o que ela me proporcionou, ídolo, professora, incentivadora, torcedora, tudo para mim.


Digo isso porque aos que hoje festejam o aniversário de suas mães, nestes dias de santos juninos, entrem no clima, ponham chapéu de palha, blusa quadriculada, pintem bigodinhos, façam uma fogueira, sei lá, corram até elas e as parabenizem com a força que merecem. Creiam, isso fará muita falta quando não estiverem e espero que ainda vivam muito e muito.


O cotidiano é muito duro e vai nos deixando insensíveis. Às vezes, as circunstancias distanciam as pessoas. No final das contas, coisas pequenas, se analisadas sob uma lente mais justa. Coisinhas que amargam a vida, não passam de coisinhas mas afastam as pessoas. E aí, tempos depois, em um dia de festas, você lembra e pensa que eram tão bobos os problemas. Essa reflexão talvez ajude alguém. Quanto a mim, vivo o dia de hoje com a cabeça naquelas festas, onde ela estava no auge de sua felicidade, sua personalidade brilhante, sua luz que talvez nem precisasse da eletricidade para iluminar tudo. E penso, só para mim, na falta que ela me faz e como eu a amo, Celeste Magno Camarão Proença!



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Edyr Augusto Proença
Paraense, escritor, começou a escrever aos 16 anos. Escreveu livros de poesia, teatro, crônicas, contos e romances, estes últimos, lançados nacionalmente pela Editora Boitempo e na França, pela Editions Asphalte. Foto: Ronaldo Rosa

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