Publicado em: 23 de junho de 2026
Se estivesse viva, minha mãe estaria festejando seu aniversário. Desde cedo ela iria para uma casa que tínhamos no Lago Azul. Comandaria uma equipe formada por filhos, noras, netos, alguns “chegados” e enfeitaria a casa e o quintal com enfeites da época de São João. Prepararia com esmero um banho cheiroso que depois ficaria à disposição dos visitantes. Não haveria quem tirasse seu bom humor. Um toca-discos que também levava, tocava um repertório de época. Lembrava dos tempos de criança, seus pais, suas irmãs, contando histórias inesquecíveis. A partir do começo da noite, chegavam os filhos que já trabalhavam e o pai, seguidos de parentes e amigos. Imaginem uma casa em festa, toda iluminada, uma fogueira queimando, crianças correndo sem parar, algumas, mais taludas, soltando bombas juninas e um grupo de adultos animados conversando, até que em determinada hora, meu pai e seus amigos seresteiros sacavam seus instrumentos. Uma roda era feita e aí, sim, começava, com efeito, a comemoração. Cantavam até quase o amanhecer do outro dia. Isso é que era farra!
Num dia como hoje, vocês não imaginam a falta que ela me faz. O que pretendo dizer, nesta reflexão, é que talvez, naquela época, ficávamos felizes por ela. Não faltávamos à festa. Mas, fustigados pelo dia a dia, nossos compromissos, as contas a pagar, nossos problemas diários, talvez, muitas vezes, não tenhamos festejado com a intensidade devida. Os que já perderam suas mães, sabem a falta que elas nos fazem. Não sei vocês, mas quando lembro de Celeste Proença e seu rosto feliz, em plena alegria de seu aniversário naquela casa do Lago Azul, tenho vontade de voltar lá, correr e abraça-la, beija-la, dizer da felicidade em tê-la conosco, agradecer por tudo o que ela me proporcionou, ídolo, professora, incentivadora, torcedora, tudo para mim.
Digo isso porque aos que hoje festejam o aniversário de suas mães, nestes dias de santos juninos, entrem no clima, ponham chapéu de palha, blusa quadriculada, pintem bigodinhos, façam uma fogueira, sei lá, corram até elas e as parabenizem com a força que merecem. Creiam, isso fará muita falta quando não estiverem e espero que ainda vivam muito e muito.
O cotidiano é muito duro e vai nos deixando insensíveis. Às vezes, as circunstancias distanciam as pessoas. No final das contas, coisas pequenas, se analisadas sob uma lente mais justa. Coisinhas que amargam a vida, não passam de coisinhas mas afastam as pessoas. E aí, tempos depois, em um dia de festas, você lembra e pensa que eram tão bobos os problemas. Essa reflexão talvez ajude alguém. Quanto a mim, vivo o dia de hoje com a cabeça naquelas festas, onde ela estava no auge de sua felicidade, sua personalidade brilhante, sua luz que talvez nem precisasse da eletricidade para iluminar tudo. E penso, só para mim, na falta que ela me faz e como eu a amo, Celeste Magno Camarão Proença!
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista




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