Publicado em: 13 de abril de 2026
Dois estudantes do curso de Direito do turno da manhã do Centro Universitário do Pará foram detidos hoje (13) e provavelmente serão expulsos. Um deles é dono de um teaser e o outro usou o aparelho em uma pessoa em situação de rua que passava ao lado da instituição e saiu correndo para se abrigar no Cesupa. Tudo foi filmado sob gargalhadas. Há pelo menos dois vídeos que circulam nas redes sociais mostrando que a prática é reincidente.
Várias pessoas testemunharam o ato e entregadores de aplicativo, revoltados, correram atrás do estudante e tentaram entrar no campus do Cesupa. Na confusão, a catraca de acesso foi quebrada. Acionada, a polícia foi lá e conduziu os envolvidos à delegacia, para autuação.
Teaser é arma de eletrochoque não letal usada para incapacitar temporariamente um indivíduo à distância. Emite descargas elétricas, interferindo no sistema neuromuscular, causando paralisia motora e derrubando o alvo. No Brasil, o uso é restrito a forças de segurança e profissionais autorizados, não sendo permitida a posse a cidadãos comuns.
A agressão contra pessoas em situação de rua por jovens de classe média alta é um fenômeno complexo que envolve interseções entre a psicologia social, a criminologia e a sociologia do privilégio. No caso de estudantes de Direito, o fato ganha uma camada adicional de contradição, já que se espera desses indivíduos uma compreensão teórica sobre direitos humanos e a dignidade da pessoa humana.
A vítima não é vista como semelhante, mas como “objeto” ou “estorvo” urbano, fator de degradação estética da cidade ou uma ameaça à propriedade privada, o que “justificaria” atos de limpeza social ou punição.
O uso do taser serve como entretenimento cruel, onde o poder sobre o corpo do vulnerável reafirma a superioridade do agressor perante seus pares. O uso de dispositivo tecnológico transforma o ato de violência em algo similar a um jogo. Estudantes de classe alta frequentemente crescem em ambientes onde o capital econômico e social atua como escudo contra as consequências legais. Existe a crença de que, caso sejam flagrados, as redes de influência da família ou a contratação de defensores de elite evitarão qualquer punição severa.
É possível que esses estudantes consigam tirar notas altas em provas sobre Direitos Fundamentais enquanto, na prática, ignoram esses mesmos princípios. Isso ocorre porque o conhecimento é tratado de forma utilitária (para passar em concursos ou exames) e não como valor ético internalizado. Em meio a tudo, a aporofobia – rejeição, medo e desprezo pelo pobre.









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