0

A reitora da Universidade Federal do Oeste do Pará, Aldenize Ruela Xavier, reuniu nesta quarta-feira (28) com os alunos indígenas a fim de tratar da denúncia de conduta racista que teria ocorrido em sala de aula, formalizada à Ouvidoria da universidade ontem (27), e acatou o pedido de acompanhamento da apuração em curso. No âmbito administrativo, a comissão do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) já foi constituída e terá prazo de até 60 dias para apuração do fato. De imediato, o professor da disciplina será substituído por outro docente, para que não haja atrasos nem prejuízos acadêmicos para a turma. Na esfera penal, a Reitoria da Ufopa oficiou à Polícia Federal comunicando indícios de cometimento do crime.

Arliene Pereira dos Santos, da etnia Arapiun, afirmou que o professor que ministra a disciplina de Química Ambiental proferiu palavras racistas e desmereceu a luta dos povos indígenas, dizendo “os índios daqui são usados pelas Ong’s para atrair dinheiro para a Amazônia”, “é só pegar dois pretos e dois índios e levar para as ruas para fazer manifestação”, e que teria se referido em tom de desprezo aos Arapiuns como ‘xexelentos’ e ‘cabeludos’.

Conforme testemunhas, o professor comentou uma experiência que ele teve na região do Arapiuns, declarou apoio ao presidente Jair Bolsonaro e, quando confrontado pela estudante, disse que não adiantaria denunciar à ouvidoria da universidade, pois não aconteceria nada.

A pedido dos discentes, será também constituída uma comissão interétnica, com representantes dos coletivos estudantis, de entidades ligadas aos movimentos indígena e quilombola e da gestão superior da Ufopa para, junto com a Diretoria de Políticas Estudantis e Ações Afirmativas da Pró-Reitoria de Gestão Estudantil (Proges), debater políticas de formação para os servidores da Universidade.

Em abril do ano passado, um aluno da Ufopa foi condenado pela Justiça Federal a dois anos de prisão e multa por ter feito um comentário racista na página da instituição no Facebook durante uma transmissão ao vivo que mostrava um ritual indígena em recepção a calouros indígenas e quilombolas. Em 11 de maio de 2018, Francisco Albertino Ribeiro dos Santos escreveu: “Povo besta se fazendo de coitado. Levanta a cabeça e estuda. Mostra que embaixo dessa pele negra tem cérebro e não um estômago faminto”. A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas, mais pagamento de cinco salários mínimos a entidade social.

Em julho de 2021, foi lançada a cartilha de combate ao racismo e à discriminação contra indígenas nas escolas públicas da rede urbana de Santarém (PA), resultado do trabalho interinstitucional entre a Ufopa e a 5ª Unidade Regional de Educação (5ª URE) no enfrentamento ao preconceito e ao racismo.

Mulheres e Espaços de Poder – Representatividade Importa

Anterior

Só nos reconheceremos nas gravuras quando elas forem desenhadas por nós

Próximo

Vocë pode gostar

Mais de Notícias

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *