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Há três dias um caminhão pipa e um tanque estão vazando óleo diesel no rio Cajuuba, no município de Muaná, no arquipélago do Marajó, desde o naufrágio, no domingo, 7, da balsa da empresa Cidade Transporte, carregada de combustível para abastecimento da usina termelétrica da Energy Assets do Brasil, antiga Guáscor. Os tripulantes foram resgatados por outras embarcações que estavam no local. Ninguém ficou ferido. O óleo já se espalha pelos furos e igarapés do perímetro e o alcance se amplia pela correnteza e maré. Cortam o município os rios Atuá (segundo maior de todo o arquipélago), Pracuúba, Atatá, Inamaru, Cajuuba e Muaná.

A Marinha confirmou poluição por óleo no rio Cajuuba. Um Peixe-boi, uma Pirarara e até um porco já foram encontrados mortos às margens do rio, na área do naufrágio. Uma equipe de inspetores navais da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental está investigando o caso, além de prestar o apoio necessários para reduzir possíveis impactos, e também instaurou inquérito administrativo. Agentes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Ministério Público do Pará estão no local. A prefeitura de Muaná informou que está fazendo um levantamento preliminar dos estragos, e já contabiliza centenas de pessoas atingidas diretamente pelos efeitos do óleo na água. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar as circunstâncias do naufrágio e fez a oitiva de representantes da empresa e do comandante da balsa.

Em nota, a empresa Cidade Transportes, responsável pelo caminhão informou está se mobilizando para remover a embarcação do fundo do rio e realizando um levantamento na região. “Contratamos uma empresa especializada sediada no Pará para pronta resposta às medidas de segurança ambiental e à comunidade local”. A empresa responsável pelo caminhão tanque prometeu instalar boias e mantas de contenção como medida de mitigação dos impactos de vazamento de óleo diesel no local. Mas o fato é que se trata de um desastre ambiental, e até agora as empresas causadoras não informaram nem o nome da empresa técnica muito menos as providências já executadas, e a Semas ainda não se pronunciou, nem o MP.

Essa balsa foi apreendida pela Sema de Muaná por duas vezes, em razão de descumprimento das normas de navegação com combustível, mas foi liberada e voltou a navegar. A população, que já sofre com energia elétrica insuficiente e poluidora, está apavorada com a contaminação do rio, de cujas águas precisam para tudo, desde a lavagem de roupa e higiene pessoal até para pescar a comida. A prefeitura de Muaná distribuiu um alerta.

A fauna e flora que entram em contato com o óleo são prejudicados instantaneamente e a longo prazo. As algas, os peixes, mamíferos e aves têm a sua sobrevivência ameaçada. A presença da substância afeta a fotossíntese das algas e reduz a quantidade de gases necessários para a vida delas. Óleo diesel é uma substância tóxica que causa diversos tipos de poluição ambiental e danos sociais profundos, impacta de maneira negativa toda a cadeia alimentar.

Não somente o ambiente aquático é atingido, as áreas de manguezais sofrem com essa poluição. Nesses ecossistemas, o óleo impregna no sistema radicular das plantas que ali vivem, impedindo a absorção de nutrientes e oxigênio. Além disso, como a região é amplamente utilizada para a reprodução de algumas espécies, essas também são afetadas. Esse é o caso de uma grande variedade de espécies de caranguejos e outros crustáceos.

Os animais aquáticos, tais como peixes e tartarugas, morrem em consequência do derramamento dos derivados de petróleo, intoxicados, por asfixia ou até mesmo por ficarem presos no óleo. As aves que retiram seu alimento desses ambientes, quando cobertas de óleo, simplesmente não conseguem voar ou nadar. Além disso, o óleo em seus corpos desencadeia desequilíbrio térmico, matando esses animais de frio ou calor a depender do clima da região.

A poluição do ambiente prejudica, ainda, a economia de toda a região, visto que ficam impossibilitados o turismo e a atividade pesqueira, de onde a população eminentemente ribeirinha retira seu sustento.

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