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A violência contra jornalistas continua em escalada impressionante no Brasil, na reta final da campanha eleitoral. Felizmente lideranças representativas vêm se posicionando contra essas investidas. O candidato a governador de São Paulo e ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) criticou publicamente as agressões verbais proferidas pelo correligionário e deputado estadual Douglas Garcia contra a jornalista Vera Magalhães ontem à noite, após o debate realizado pela TV Cultura, Folha de São Paulo e UOL entre os candidatos ao governo de SP. Douglas, que é candidato à Câmara dos Deputados, gritou em alto e bom som, filmando Vera com seu celular, que ela é “uma vergonha para o jornalismo”. Houve grande tumulto. Um segurança procurava conter o parlamentar para que ele não encostasse em Vera. O jornalista Leão Serva, mediador do debate, tomou e arremessou longe o celular do deputado, que, aos berros, questionou: “Por que você fez isso?” e se retirou gritando “jornazistas”.

“Lamento profundamente e repudio veementemente a agressão sofrida pela jornalista Vera Magalhães enquanto exercia sua função de jornalista durante o debate de hoje. Essa é uma atitude incompatível com a democracia e não condiz com o que defendemos em relação ao trabalho da imprensa”, postou Tarcísio no Twitter e ligou para a jornalista. “Eu telefonei e pedi desculpas por esse cara [Douglas Garcia] estar lá com uma credencial cedida pela minha campanha. Eu mal conheço, nem tenho contato com esse idiota”, afirmou Tarcísio.

Vera ficou abalada, foi escoltada por seguranças até a saída e disse que registrará boletim de ocorrência por ameaça. “Eu estava sentada na primeira fileira vendo meu celular. Há centenas de testemunhas. Ele usou o convite do estafe de Tarcísio de Freitas no debate apenas para vir mentir, me acossar e ameaçar”, contou.

O governador Rodrigo Garcia (PSDB) manifestou em rede social “total repúdio ao ataque covarde que a jornalista sofreu” e disse que ele partiu “de um sujeito que não representa os valores democráticos nem o povo de São Paulo”. O candidato Fernando Haddad (PT) também repudiou a atitude de Douglas, que chamou de ataque covarde. Para o petista, foi uma “clara tentativa de ataque à liberdade de imprensa”. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), candidata a deputada federal, afirmou que a escalada das agressões contra Vera é inadmissível.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta (14), Douglas Garcia disse que precisa pedir desculpas a Tarcísio de Freitas, não para a jornalista. “Se é para eu pedir desculpas para alguém, não é para jornalista nenhum. Eu tenho que pedir desculpas para o Tarcísio”, afirmou, garantindo que também registrou BO contra a jornalista.

O deputado acusa falsamente Vera Magalhães de receber R$ 500 mil anuais de salário da TV Cultura, mesmo a emissora já tendo divulgado o valor de R$ 22 mil mensais e até o contracheque dela. Em vídeo, o jornalista Leão Serva, colunista da Folha, professor de Ética no Jornalismo na ESPM e diretor de Jornalismo da TV Cultura – Fundação Padre Anchieta, disse que tomou o celular porque o deputado Garcia “já tem uma prática de perseguição” e assédio em relação a Vera Magalhães. “Ele veio aqui visivelmente com a intenção de ‘lacrar’. A única solução possível naquele momento era afastá-lo da ‘lacração’. Douglas sentou ao lado de Vera e, gravando com seu celular, perguntou se ela recebeu dinheiro para falar mal do governo Bolsonaro. Vera Magalhães é apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, colunista do jornal O Globo e comentarista da CBN. Douglas Garcia criou em 2018 um bloco de carnaval chamado ‘Os Porões do DOPS’, para “homenagear” o torturador Ustra e o órgão de repressão, já extinto, que torturou e assassinou, entre outros, Wladimir Herzog, diretor de Jornalismo da TV Cultura.

Como a veia humorística do brasileiro é ímpar, o episódio já gerou memes no território livre da internet.

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