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O Mangueirão viveu uma noite especial nesta quarta-feira (04). O público compareceu em bom número, empurrado por um simbolismo raro: depois de 32 anos, o Clube do Remo voltou a disputar uma partida de Série A em Belém. O cenário era de festa, expectativa e orgulho. O torcedor azulino sabia que não era apenas mais um jogo – era um reencontro, depois de quase duas gerações, com a elite do futebol brasileiro.


Dentro de campo, o Remo honrou o momento no primeiro tempo. Mesmo com menos posse de bola, foi eficiente, competitivo e cirúrgico. João Pedro abriu o placar aproveitando uma das poucas chances criadas, e Alef Manga ampliou com um belo gol, daqueles que levantam arquibancada. A equipe parecia confortável em um roteiro pragmático, explorando bem os espaços e controlando o adversário sem precisar tanto da bola.
O jogo, porém, teve seus capítulos controversos. Ainda na primeira etapa, o Mirassol reclamou com razão de um pênalti não marcado em Alesson, lance que poderia ter mudado completamente a narrativa da partida. O Remo saiu ileso desse episódio, mas o futebol costuma “cobrar a conta” ao longo dos 90 minutos. A a conta, mais tarde, chegou.
No segundo tempo, mesmo desgastado pela maratona de jogos, o Mirassol avançou suas linhas, assumiu riscos e passou a empurrar o Remo para trás. As mexidas feitas por Juan Carlos Osório não surtiram o efeito esperado. O time perdeu encaixe, intensidade e passou a sofrer com a pressão constante. O domínio paulista cresceu, o jogo virou território visitante e o empate parecia cada vez mais próximo.


E ele veio na reta final, quando o Mirassol já controlava o confronto e ainda teve chances claras de virar a partida. O resultado final de 2 a 2 deixou um gosto amargo na boca do torcedor azulino, especialmente porque o Remo teve, sim, condições reais de vencer um adversário qualificado, em casa, em uma noite histórica. O sentimento foi de oportunidade desperdiçada, mais do que de ponto conquistado.


Após o apito final, Osório foi direto: reforçou que o foco do Remo é a Série A e que a equipe ainda busca sua formação ideal – além de redefinições no elenco. A frase soa como diagnóstico e aviso. O retorno à elite é promissor, mas exige ajustes finos, leitura rápida e decisões certeiras. O empate fica como lição: na Série A, a presença da torcida emociona, a entrega em campo anima, mas só consistência e resultados sustentam. E o campeonato já começou a cobrar isso do Leão.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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