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Ruptura da PA-453 é fruto do desmatamento em Santarém

O secretário de Estado de Transportes, Adler da Silveira, desembarca amanhã cedinho em Santarém para vistoriar os danos e acompanhar o início dos serviços na rodovia Fernando Guilhon, que desabou após a intensa chuva de ontem à noite (7). A Setran vai substituir o sistema de galerias de águas pluviais da PA-453, com tubulação maior, de modo a suportar o volume de água que acumula, e fará também a recomposição do asfalto.

O trânsito está interditado em razão da enorme cratera que seccionou a rodovia estadual. O muro da Escola Delano Riker também caiu. Hoje de manhã e à tarde o secretário regional de Governo do Baixo Amazonas, Henderson Pinto, esteve no local junto com o prefeito Nélio Aguiar, que pediu reforços ao governador Helder Barbalho. A prefeitura fez a contenção e a interdição da área para garantir a segurança na via, e serviços emergenciais para evitar novos desmoronamentos.

A PA-453, rodovia Fernando Guilhon, é o único acesso do centro urbano ao aeroporto de Santarém, à maioria dos bairros, ao shopping Rio Tapajós, a vários residenciais populosos e a todas as praias do município. Cruza a BR-163 (Santarém-Cuiabá) e faz interseção com a PA-257, a rodovia Everaldo Martins, que liga a cidade ao distrito de Alter do Chão, passando por pelo menos dezoito localidades, com acesso também a outras praias famosas, como a do Carapanari (onde funciona o restaurante Casa do Saulo) e a de Ponta de Pedras, e ainda ao Restaurante Caranazal e à Floresta Encantada. Tudo isso já evidencia a qualquer pessoa do povo a necessidade de urgente construção de rotas alternativas – o que está sendo providenciado pela prefeitura, com a implantação da Av. Moaçara -, além da constante manutenção e restauração da rodovia, mas o caso é ainda pior.

Pertinho do leito da Fernando Guilhon fica o Lago do Juá, que se conecta ao rio Tapajós através de um paraná (canal). Em 2011 começou a ser construído às margens da rodovia o Residencial Salvação, do projeto Minha Casa, Minha Vida, com 3.081 casinhas de 42m2, que foi entregue em 2016 mas as milhares de famílias beneficiárias esperaram ainda mais anos para morar, porque falhas gritantes na obra – inexistência de drenagem, de saneamento básico, de equipamentos urbanos de saúde, transporte, educação, cultura e lazer – e no processo de licenciamento ambiental causaram desmoronamento de terras durante as chuvas, inundando de lama todo o conjunto, e provocaram danos ambientais ao lago do Juá e ao rio Tapajós. Para se ter uma ideia, nenhum dos requisitos básicos para moradia com um mínimo de dignidade humana foi adotado no residencial, e as casinhas tinham aquecedor (!), sendo que a temperatura média local gira em torno de 37 graus o ano inteiro. Outros residenciais no entorno, como o Cidade Jardim, agravaram ainda mais o problema.

As intervenções antrópicas nos ecossistemas não repercutem apenas nos processos ecológicos, têm consequências sociais e econômicas, prejudicando a subsistência e segurança alimentar de milhares de famílias. Assim como o Juá, os lagos Mapiri e Papucu, nas imediações, também foram soterrados em consequência da especulação imobiliária. O desmatamento produzido pelas construtoras foi o principal fator desencadeador do assoreamento no lago do Juá e da mudança do modo de vida e da precarização da subsistência das famílias ribeirinhas, além dos constantes estragos feitos pelas enxurradas. Antes, a água do Juá era limpa e transparente. Era comum ver jacarés, peixes-bois, capivaras, havia maior quantidade de pássaros e pirarucus, tucunarés, curimatás, tambaquis, jutuaranas (matrinxãs), surubins e jaraqui saltavam ao redor das canoas dos pescadores no lago. Com o desmatamento e o assoreamento, os processos ecológicos mudaram radicalmente e as vidas de centenas de famílias de pescadores tradicionais foram duramente afetadas. Agora a natureza cobra a fatura de toda a cidade.

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