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Respeito é bom e toda mulher exige

Há mais de 5,6 milhões de mulheres na Terra, quase todas em busca de equidade, igualdade e ampliação dos direitos e visibilidade todos os dias, seja em empresas, em casa ou desbravando seu próprio caminho no empreendedorismo.

Artur do Val, deputado estadual de São Paulo, atravessou o Atlântico para passear na Ucrânia em plena guerra e crise humanitária e informou seus pares do MBL: as mulheres ali “são fáceis porque são pobres”. “Imagina uma fila de sei lá, de 200 metros ou mais, só deusa. Se pegar a fila da melhor balada do Brasil, na melhor época do ano, não chega aos pés da fila de refugiados aqui”. Além de moralmente execráveis, as referências do deputado paulista Mamãe Falei sobre as policiais e refugiadas ucranianas são criminosas. Ao se referir a elas de forma desrespeitosa, sexista e chula, ele quebrou o decoro parlamentar. Tão absurdas quanto criminosas, as palavras do quase ex-parlamentar ofendem todas as mulheres do planeta.

Em Itaituba, sudoeste do Pará, no coração da Amazônia, onde garimpeiros destroem há décadas a natureza e estão matando o rio Tapajós com o uso de mercúrio, o prefeito Valmir Climaco, bêbado, no meio de um show, berrou: “Vou comer aquela! Vou comer mais de vinte! Pensa num lugar que tem tanta rapariga boa? Aqui tem”. A conduta asquerosa do prefeito é reincidente. E até hoje nenhuma providência efetiva foi tomada.

Em todo o mundo, a toda hora, mulheres convivem com atitudes, palavras, gestos, explicações e desculpas como as do jovem deputado Artur e do velho prefeito Valmir. Preconceito, discriminação e desrespeito não têm idade, classe social, crença ou cor de pele. Estão no cotidiano de todas as mulheres. As pobres, como frisou Artur-mamãe-falei, são mais facilmente subjugadas, abusadas, desconsideradas, ignoradas, coisificadas, reduzidas a carnes baratas – corpos a serem usados ao bel prazer dos mais fortes. Ou dos mais nojentos, sórdidos, repugnantes, porcos, hediondos.

A ONU estima que hoje, no mundo, para cada 101,8 homens há 100 mulheres. A quase igualdade dos números de população não resulta em igualdade real de direitos, nem no devido respeito. No Brasil, onde as mulheres são maioria – 51,8% da população -, acontece um estupro a cada 10 minutos. Um feminicídio a cada sete horas; e 66% das assassinadas são pretas. Ainda assim – ou talvez por isso mesmo -, os recursos destinados ao combate à violência contra a mulher desceram a ladeira nos últimos quatro anos. Desde o início da pandemia, 100.398 meninas e mulheres brasileiras foram vítimas de violência sexual.

Nascer mulher continua sendo um desafio, que só cresce, junto com o medo. É um eterno sobressalto e luta contra o invisível. Quando uma mulher sai de casa, tem receio de ser estuprada – pelo motorista do Uber, pelo médico durante uma consulta, por um maluco que cruza o seu caminho quando volta do trabalho à noite. O medo é intrínseco e a superação dele uma necessidade diária. Até quando?!

Assistam aos vídeos nauseabundos do prefeito de Itaituba e a um no qual uma conterrânea dele comenta sobre sua conduta.

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