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Borboleta Olho-de-coruja e seus ovos
Fotos: Geraldo Ramos
Vejam que maravilha da natureza. No Parque Zoobotânico Mangal das Garças, em Belém do Pará, espaço da Secult, está localizada a reserva José Márcio Ayres, assim denominada em homenagem ao brilhante cientista paraense, que se foi precocemente. Também o maior borboletário da América Latina, com 1.400 m², o lugar reproduz a floresta amazônica, com vegetação propícia para o habitat de várias espécies de animais, entre eles borboletas raras.
Do ovo à saída da pupa, o manejo da borboleta é feito internamente no criatório do Mangal. Todo o processo de reprodução das espécies Júlia (Dryas julia), Ponto-de-laranja (Anteus menippe) e Olho-de-coruja (Caligo ilioneus) é realizado pela equipe do parque.
O Mangal das Garças é o único Borboletário do Brasil que produz durante o ano inteiro a espécie Ponto-de-laranja. Além desta, em determinados períodos do ano, há a ocorrência das espécies sazonais Monarca (Danaus erippus), Fetusa (Dryadula phaetusa) e Ponto-de-prata (Agraulis venillae) e Borboleta-branção (Ascia monuste). O processo de metamorfose do ovo até a fase adulta dura, em média, um mês para ser concluído. No Borboletário, o ciclo de vida vai de um a três meses. 

Este é o caso da espécie Olho-de-coruja, que chega a viver três meses. Para a reprodução dela foi criado um espaço específico em anexo ao Borboletário, com acompanhamento diário. Típica da América do Sul, a Olho-de-coruja tem este nome pela semelhança com a coruja, por conta de dois ocelos claros sobre fundo escuro, que imitam perfeitamente os olhos da ave, usados para se proteger dos predadores. Vive em ambientes sombreados, áreas bosqueadas próximas a árvores frutíferas tais como jaqueiras, bananeiras e cupuaçuzeiros. Tem hábito crepuscular, com atividade no final do dia. Considerada a maior borboleta do Brasil, chega a alcançar até 25 cm de envergadura. 

Diariamente, cerca de 200 a 300 borboletas são soltas no Borboletário, o que resulta na criação de cerca de seis mil animais ao mês. A meta é realizar a soltura das quatro espécies, com picos de 600 borboletas ao dia. 

Detalhe: as folhagens e flores que servem de alimento às borboletas e lagartas do Borboletário são cultivadas por um grupo de seis internos da Colônia Penal Agrícola de Santa Isabel, unidade prisional de regime semiaberto. A ação faz parte do projeto “Transformando Vidas”, fruto de convênio que existe há oito anos entre a Organização Social Pará 2000, que administra o Mangal das Garças, e a Susipe. 

Anotem: os visitantes do parque podem conferir de perto a soltura das borboletas, de terça a domingo, às 10h e às 16h, na Reserva José Márcio Ayres. O bilhete para visitação do espaço custa R$ 4, com meia entrada para estudantes. Vão e levem as crianças.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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