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O Canadá celebra este ano oito décadas de relações bilaterais com o Brasil e entende o papel fundamental da sociedade na promoção dos direitos humanos, pluralismo e inclusão. A pandemia do novo coronavírus acentuou ainda mais a vulnerabilidade social e alimentar das populações amazônicas, historicamente excluídas das políticas públicas. Diante disso, no baixo, médio e alto Tapajós, o Projeto Saúde e Alegria direcionou as ações da campanha #ComSaudeeAlegriaSemCorona para apoiar os indígenas, que vivem em aldeias e comunidades, com hábitos de cultura comunitária, de convivência coletiva no dia a dia, para os quais é difícil explicar que não podem sair para as cidades mais próximas e comprar seu alimento.

Nas aldeias dos Munduruku no Médio Tapajós, que já enfrentam muitos problemas relacionados à pressão sobre seus territórios, como a invasão de garimpos ilegais, o projeto mobilizou parceiros para assegurar cestas básicas e material de pesca para facilitar o trabalho de jovens, evitando a saída da maioria de suas casas para buscar alimentos. Em parceria direta com a Associação Pariri dos Povos Munduruku dos Médio Tapajós, Dsei Rio Tapajós de Itaituba, mais de 1200 indígenas foram inicialmente beneficiados.

O projeto apoiou a estruturação de laboratórios de saúde em polos remotos do Alto Tapajós, incluindo equipamentos para atendimento de pacientes que precisam de monitoramento laboratorial, sem necessidade de ir até a cidade para a realização de exames, não somente no combate à Covid-19 como também para qualificar a assistência às gestantes (sobretudo o pré-natal), aos idosos, aos hipertensos e aos diabéticos, entre outras doenças endêmicas, urgências e emergências. Os serviços de saúde do Dsei também foram apoiados com oxímetros e cilindros de oxigênio a hospitais do município, além de investimentos nas áreas de energia solar, saneamento, banheiros e sistemas de abastecimento de água encanada.

Ter água em casa para consumo, lavar as mãos e manter a higiene na família nunca foi tão importante quanto em tempos de pandemia. Convivendo com a poluição do rio Tapajós em função dos garimpos ilegais, os Munduruku demandavam apoio para melhorar o acesso à água potável e o saneamento básico. Mas as restrições sanitárias impediam a continuidade das obras iniciadas em 2019. Foi preciso muita cautela e planejamento da equipe para a retomada das ações em 2021, que além das medidas de controle da Covid, com a realização de testes e higienização dos materiais, tiveram que enfrentar a complexa logística devido à distância das aldeias e condições de trafegabilidade das vias, para conseguir levar caminhões e balsas transportando kits de ajuda humanitária e materiais para construção das obras do Programa Cisternas que vem sendo implementado na região pelo PSA.

Assim, cento e doze famílias dos Munduruku do médio Tapajós puderam ter acesso à banheiros com fossas sanitárias em casa, sistemas de bombeamento de água, de captação e tratamento das águas das chuvas, e de distribuição através de redes hidráulicas até as casas.

Sistemas fotovoltaicos foram instalados nas aldeias Munduruku do médio Tapajós em Itaituba – Sawré Jaybu, Dace Watpu e Sawré Muybu, atendendo 51 famílias com energia solar para bombeamento de água, com apoio da Fundação Mott. As instalações reduziram a necessidade de óleo diesel usado em motores, economizando no custeio das operações.

 “Por meio desses laços de amizade, o diálogo entre nossas nações se enriqueceu, proporcionando trocas de experiências e colaborações para promoção dos direitos humanos nos dois países” e em reconhecimento pelo excelente trabalho na área de assistência aos povos indígenas em resposta à crise da Covid-19, a Embaixada do Canadá no Brasil outorga o Prêmio Direitos Humanos 2021 ao Projeto Saúde e Alegria”, escreveu a embaixadora Jennifer May.

O coordenador do Projeto Saúde e Alegria, Caetano Scannavino, compartilha o prêmio com parceiros e co-executores: o Conselho Indígena Tapajós Arapiuns, o Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém, a Associação Pariri dos Povos Munduruku dos Médio Tapajós, o Dsei Rio Tapajós, a Funai, e os apoiadores Fundo Casa, União Amazônia Viva, Embaixada do Canadá, Instituto Arapyaú e Programa Cisternas.

Iniciativa sem fins lucrativos que atua desde 1987 em comunidades da Amazônia brasileira com o objetivo de promover e apoiar processos participativos de desenvolvimento comunitário integrado e sustentável que contribuam de maneira demonstrativa no aprimoramento das políticas públicas, na qualidade de vida e no exercício da cidadania das populações atendidas, o Projeto Saúde e Alegria atende a cerca de tinta mil moradores de comunidades rurais de Santarém, Belterra, Aveiro e Juruti, municípios localizados no oeste do estado do Pará. As ações buscam soluções para seus problemas reais, incluindo saúde e saneamento básico; ordenamento territorial, fundiário e ambiental; organização social, cidadania e direitos humanos; produção agroextrativista e geração de renda; energias renováveis; economia da floresta, ecoturismo e artesanato; educação, cultura, comunicação e inclusão digital.

Em um trabalho lúdico e educativo, lideranças, produtores rurais, empreendedores, professores, agentes de saúde, mulheres, jovens e crianças se tornam multiplicadores das ações. Assim, a população participa ativamente do diagnóstico, do planejamento e do acompanhamento das ações, o que propicia a autogestão de seu desenvolvimento. O público atendido pelo PSA é composto, em sua maioria, por populações tradicionais distribuídas ao longo de rios e estradas, em comunidades de trinta a duzentas famílias, ocupando terras devolutas ou áreas de Assentamentos, Glebas e Unidades de Conservação.

Uruá-Tapera

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