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O Pará está no topo do ranking de risco de desmatamento no período de agosto de 2022 a junho de 2023, com aproximadamente 4.504,5 km2 de áreas ameaçadas. Até abril deste ano, cerca de 48% dessa área já havia sido desmatada, o equivalente a 2.171,80 km2, cenário alarmante para a preservação da floresta amazônica. De janeiro a maio, a Amazônia perdeu 1.542 km² de mata nativa, o equivalente ao território da cidade de São Paulo. Estes dados foram apresentados nesta sexta-feira, 23, em reunião do Centro de Apoio Operacional Ambiental, coordenado pelo promotor de Justiça José Godofredo Pires dos Santos, com o Núcleo Agrário e Fundiário do Ministério Público do Estado do Pará, sob coordenação da promotora de Justiça Ione Nakamura, e o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O pesquisador Paulo Amaral, utilizando o Sistema de Alerta de Desmatamento desenvolvido pelo Imazon e alimentado pela plataforma MapBiomas, informou que o Pará, responsável por 22% das áreas de desmatamento no Brasil, é o Estado que mais degrada o meio ambiente no país. Os municípios de Portel, Altamira, Pacajá, São Félix do Xingu e Uruará foram identificados como os principais responsáveis por 38% das áreas desmatadas do Estado.

As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 97 quilômetros quadrados em maio de 2023, aumento de 49% em relação a maio de 2022, quando a degradação detectada foi de 65 quilômetros quadrados.

O Pará tem enfrentado dificuldade para combater o desmatamento em algumas áreas protegidas, como a APA Triunfo do Xingu. Apenas em maio, essa unidade de conservação estadual perdeu 25 km² de floresta, o que equivale a 2.500 campos de futebol, sendo a mais desmatada de toda a Amazônia. Além desse território, outras três unidades de conservação paraenses ficaram no ranking das dez mais destruídas em maio: APA do Tapajós, Flona de Saracá-Taquera e Esec da Terra do Meio. “Em maio, o Pará foi o estado que mais teve áreas protegidas entre as mais desmatadas da Amazônia, incluindo terras indígenas como a Munduruku e a Xikrin do Cateté”, alerta Raíssa Ferreira, pesquisadora do Imazon.

Além dos dados fornecidos pelo SAD, foram discutidos os resultados da plataforma PrevisIA, desenvolvida em parceria entre o Imazon, a Microsoft e o Fundo Vale, que utiliza inteligência artificial para identificar áreas com alto risco de desmatamento na Amazônia. A ferramenta analisa diversas variáveis, como topografia, cobertura do solo, estradas legais e ilegais, infraestrutura urbana e socioeconômica, a fim de indicar as áreas mais vulneráveis ao desmatamento no bioma.

O diagnóstico reforça a necessidade de intensificar as ações de fiscalização e combate ao desmatamento ilegal no Pará, visando a preservação do meio ambiente e a manutenção dos ecossistemas amazônicos. O MPPA e seus parceiros afirma que continuará atuando de forma incisiva na defesa da Amazônia e na promoção de políticas sustentáveis para a região.

O encontro contou com a presença das promotoras de Justiça Adriana Passos, Josélia Leontina Barros, Patrícia Pimentel e Renata Valéria Cardoso, e dos promotores Leonardo Caldas, Luiz Gustavo Quadros, Bruno Alves Câmara e Guilherme Coelho. Também participaram por videoconferência @s PJ Alexandra Mardegan, Dirk Matos, José Alberto Grisi e Paloma Sakalem. O evento foi prestigiado por servidores do Grupo de Apoio Técnico Interdisciplinar (GATI) e assessores do MPPA e do Imazon.

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