Publicado em: 2 de fevereiro de 2026
A segunda rodada do Parazão 2026 passou longe de ser eletrizante, mas foi reveladora. Remo e Paysandu entraram em campo neste fim de semana com discursos diferentes, porém convergentes em um ponto: o estadual, mais uma vez, aparece como meio e não como fim. O torcedor que acompanha o futebol paraense com lupa percebe que as decisões tomadas agora dizem muito mais sobre o restante da temporada do que sobre a tabela inicial do campeonato.
O Remo foi até Belterra para enfrentar o São Francisco, no sábado (31) e saiu de campo com um empate sem gols que, no papel, pouco acrescenta. Em campo, no entanto, a partida reforçou a ideia de que Juan Carlos Osório segue tratando o Parazão como um grande laboratório. Atuando com time majoritariamente reserva, o Leão Azul apresentou uma postura claramente experimental, mesmo longe de Belém.
Não há muitas dúvidas de que o foco do Remo em 2026 está na Série A, e isso explica tanto as escolhas do treinador colombiano quanto a falta de urgência no resultado. Ainda assim, o jogo ficou marcado negativamente pelas más condições do gramado do estádio Dedé Cão, que comprometeram a fluidez da partida e levantam um debate antigo: até que ponto a estrutura oferecida pelo estadual contribui para o desenvolvimento técnico que os clubes dizem buscar?
Na Curuzu, no domingo (01), o Paysandu confirmou o favoritismo e construiu a vitória por 1 a 0 sobre o Capitão Poço com controle de jogo e maturidade competitiva. O placar foi definido em um lance de qualidade individual de Kleiton Pego, cujo gol deu tranquilidade ao time, enquanto Marcinho novamente se destacou como o principal organizador das ações ofensivas, ditando o ritmo e oferecendo equilíbrio ao meio-campo bicolor.
Outro ponto que chama atenção no Paysandu é a integração cada vez maior de jogadores oriundos da base ao elenco profissional. A proposta de Júnior Rocha parece clara: competir no Parazão sem abrir mão de formar e observar talentos. O próximo desafio será contra a Tuna, em Augusto Corrêa, duelo que deve testar justamente essa mistura entre juventude e experiência fora de casa. O foco, claro, é a Série C 2026, em que o Paysandu buscará acesso.
No fim das contas, a segunda rodada do Parazão 2026 escancara uma realidade incômoda e necessária: o estadual perdeu protagonismo esportivo, mas ganhou importância estratégica. Entre gramados irregulares, times alternativos, calendário apertado e jovens sendo lançados, Remo e Paysandu parecem jogar um campeonato que vai além dos 90 minutos. Cabe ao torcedor refletir se esse caminho é inevitável ou se ainda há espaço para resgatar o peso simbólico e competitivo do futebol paraense.
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista







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