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Paciente de câncer expõe tratamento desumano

O depoimento de Jaqueline Carvalho, 37 anos, hoje, na tribuna do auditório João Batista, da Alepa, durante o ciclo de debates com parlamentares sobre câncer de mama metastático, foi um soco no estômago. Ela contou sua trajetória desde quando sentiu um nódulo na mama, aos 22 anos, consultou um médico do SUS que simplesmente a mandou para casa, sem prescrever exames, dizendo que era muito nova e já tinha filho, então não precisava se preocupar. Doze anos depois, aos 34 anos, mãe de dois filhos, Jaqueline descobriu que sofria de câncer já em metástase. Ela faz tratamento no Hospital Ofir Loyola, em Belém, mas seu médico a aconselha a viver cada hora. Seu caso não tem mais cura.

Jaqueline não chorou. Com um lenço na cabeça, mais para destacar do que para esconder sua condição, expôs seu drama de modo corajoso, a voz firme, sabedora de que pode ajudar a mudar a falta de atenção, de sensibilidade e de humanidade de tantos médicos e outros profissionais da saúde, que ainda aumentam e multiplicam tantas dores psicológicas e físicas enfrentadas por quem luta contra o câncer.

Quantas Jaquelines, Marias e Anas, mães, tias, filhas, avós, esteios de suas famílias, são condenadas precocemente à morte por falta de um diagnóstico? Milhares. Não bastassem todas as dificuldades, o sofrimento da quimioterapia, da radioterapia e da cirurgia e suas sequelas que não somem jamais, muita gente morre porque há médico – que jurou salvar vidas – que não requisita o exame devido. É cruel, atroz, desumano. E acontece todos os dias. No SUS e nos planos de saúde. Alguns nem olham para os pacientes. Uma vergonha. Um crime.

O ciclo de debates foi uma iniciativa da Femama – Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, presidida pela mastologista Dra. Maíra Caleffi – PhD em Medicina pela Universidade de Londres(UK) e Pós Doutora em Genética e Câncer pela Universidade de Vanderbilt(EUA), que chefia o Serviço de Mastologia do Hospital Moinhos de Vento e coordena o Núcleo da Mama e o programa de residência médica em Mastologia do mesmo hospital, no Rio Grande do  Sul -, e da Associação Amigas do Peito do Pará, presidida pela odontóloga Patrícia Cítero Peixoto, que promove programas de prevenção à saúde, promoção e garantia dos direitos, além de assistência social e apoio ao paciente oncológico, de forma permanente e gratuita, por meio de equipe multidisciplinar que inclui advogados, assistentes sociais, psicólogas, fisioterapeutas, nutricionistas, odontólogas, enfermeiras e médicos, e colabora com pesquisas relacionadas ao câncer. É membro da Câmara Técnica Oncológica da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará e da Comissão de Saúde da OAB-PA.
O evento teve o apoio do deputado Wanderlan Quaresma(PMDB), que requereu o espaço, e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Márcio Miranda(DEM), que prestigiou os debates. Ambos são médicos e também deram depoimentos. Wanderlan chegou a dizer que se a saúde pública não fosse tão precária jamais teria sido eleito deputado. Márcio Miranda defendeu a necessidade de humanizar o atendimento e de serem utilizados os hospitais particulares, com a tabela do SUS, para exames e cirurgias, e assim acabar com as filas que demoram anos e nas quais centenas de pacientes morrem antes mesmo de ter a chance de fazer o tratamento.

Várias ongs que atuam na articulação de uma agenda nacional única para influenciar a formulação de políticas públicas de atenção à saúde da mama participaram do ciclo de debates.

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