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O PESPORRENTE

– Ele é um pesporrente.

Disse o entrevistado do programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, há algumas semanas atrás. Antes que ele esclarecesse sua afirmação eu já estava de celular em punho buscando o significado da estranha palavra. Coisa de quem trabalha com texto e não perde oportunidade de conhecer termos inusitados. Não para usá-los no dia-a-dia mas para conhecê-los.    

Estava no centro do Roda Viva o doutor Manuel Alceu Affonso Ferreira, advogado e professor universitário, ex-Consultor-Geral do Estado de São Paulo, membro dos mais altos colegiados de classe e advogado da Folha de São Paulo.  

Até a apresentadora e os debatedores do programa ficaram surpresos ante o que disse Manuel Alceu.

Quando ele definiu o dito, o dicionário eletrônico já me dissera que pesporrência é a atitude de quem se acha superior aos outros, arrogância, pedantismo, atrevimento, jactância, orgulho, vanglória, altivez, empáfia, presunção, bazófia, imodéstia, insolência, altanaria, convencimento, enfatuação, soberba, sobranceria.

O adjetivo pesporrente e o substantivo a que se refere, a pesporrência, ficaram na minha cabeça por uns dias. Minha vontade era fazer um texto sobre a adequação dessa rara palavra à pessoa a quem se referia Manuel Alceu.

         Quem seria? Bingou se você pensou no presidente Jair Bolsonaro.

          Desde quando ele era mais um deputado federal do chamado baixo clero da Câmara dos Deputados, após ter saído pela porta dos fundos do exército brasileiro por arruaças, suas atitudes sempre foram pedantes, atrevidas e inconvenientes. Para dizer o mínimo.

Ainda está na memória de muitos de nós a arrogância bolsonariana de dizer ao microfone da Câmara Federal que só não fazia sexo com uma colega parlamentar porque ela seria feia. E o voto por ele proferido na CPI do impeachment de Dilma Roussef, em 2016, homenageando o reconhecido torturador da ditadura de 64, Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, algoz de Dilma.

Outros episódios da folha corrida de Bolsonaro poderiam ser mencionados para evidenciar sua pesporrência, ao se julgar acima do bem e do mal num pedantismo e grosseria sem comparação com qualquer outro parlamentar da história do Congresso Nacional.

          Fiquemos só com a última. A insolência dele de questionar, sem provas, a fragilidade das urnas eletrônicas adotadas nas eleições brasileiras desde 1996, sem questionamentos e pretender o retorno do papel que tanta celeuma causava quando em uso. O argumento dele e seus sequazes de que as urnas eletrônicas não são auditáveis é mais uma mentira. São auditáveis sim. Tanto são que, a não ser na pesporrência bolsonariana, nunca os resultados foram questionados. E se prevalecesse a tese da corrupção das urnas eletrônicas, teríamos um presidente fantoche, pois teria sido eleito por urnas viciadas. Mas isso ele não alcança por ignorância, má-fe ou arrogância. Ou tudo isso junto.

Por último o pesporrente passou a peitar as instituições brasileiras como o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal que em bom tempo inverteu o jogo e agora ele terá que provar a veracidade de suas afirmações infundadas.  

Claro que há outros aspectos nessa bagunça deliberada, ou mixórdia na linguagem dos puristas, como os interesses inconfessáveis das forças que o sustentam, a identificação com políticas antidemocráticas de âmbito internacional e o trabalho nojento do chamado gabinete do ódio instalado no Palácio da Alvorada para produzir fake news e assessorá-lo nas políticas sujas.

Para não perdermos o fio do nosso raciocínio, fiquemos por ora com Manuel Alceu: Bolsonaro é um pesporrente.

*O artigo acima é de total responsabilidade do autor.

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