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O mistério do pilar central da ponte do Outeiro

Até agora a polícia ainda não sabe se a balsa apreendida no rio Maguari na segunda-feira à noite e periciada ontem, com seus tripulantes submetidos a interrogatório, é a responsável pelo dano causado à ponte do Outeiro. Os tripulantes da embarcação negaram qualquer colisão com o pilar que foi destruído e afundou, causando a ruptura da estrutura no vão central. O laudo técnico ainda não ficou pronto. Agora estão sendo ouvidos moradores da área. O inquérito tem prazo de 30 dias para ser concluído, período que pode ser prorrogado. A situação dos moradores do Outeiro é muito sofrida. Ontem, o tempo de espera para embarcar espremido no ferryboat que faz a travessia chegou a nove horas.

Acompanhando pelas redes sociais os vídeos e fotos mostrando o tormento dos que precisam da travessia, o governador Helder Barbalho reconheceu a extrema necessidade de alternativas e anunciou ontem à noite que a partir desta quarta-feira (19) providenciaria um navio para fazer o trajeto entre o Terminal Hidroviário de Belém e a Ilha de Outeiro, além de lanchas rápidas do terminal de Icoaraci para o de Outeiro. Com isso, os ferryboats serão destinados ao transporte de veículos. “Também já trabalhamos com o Ministério Público do Estado do Pará e o Tribunal de Contas do Estado para viabilizar a contratação da empresa responsável pelas obras de reconstrução que permitirão o restabelecimento do tráfego na ponte do Outeiro”, adiantou.

Outro problema, que cabe à Prefeitura de Belém resolver, é que nas balsas atravessam centenas de pessoas e só dois ônibus ficam disponíveis, aumentando o verdadeiro suplício da população. Os usuários são obrigados a se espremer de novo nos coletivos, e não à toa vem aumentando em muito os casos de Covid e gripe. Todos os postos de saúde estão lotados.

O abalroamento de pontes por balsas madeireiras acontece o tempo todo, há muitos anos, sem que medidas sejam tomadas para proteger os pilares que sustentam as pontes. Pelos rios Maguari e Benfica os comboios passam sempre, oriundos de Portel, no arquipélago do Marajó, que além da sua própria floresta recebe caminhões com as extrações de madeira de outros municípios, como Melgaço, Gurupá e Bagre. São três dias de viagem até Benevides e o frete custa setenta mil. A madeira é sempre de lei, da melhor qualidade. As espécies mais frequentes são Maçaranduba – Manilkara huberi (Ducke) Chevalier, Cupiúba – Goupia glabra (Aubl.) e Angelim vermelho – Dinizia excelsa Ducke.

De acordo com a legislação, o comprimento máximo de cada tora tem que ser de 2,5 metros de madeira bruta. Na foto feita por Pedro Pedro, da balsa que trafega normalmente pelo rio Benfica, é possível perceber a olho nu que os comprimentos são bem maiores. Faltam fiscalização e medidas preventivas. Não à toa, sobram crimes ambientais, danos ao patrimônio público e a toda a população, e perigo à navegação.

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