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O horror nosso de cada dia

O relato arrepiante de mais uma vítima da violência urbana dá a dimensão do terror que assola a sociedade brasileira como um todo. Hoje de manhã, uma clínica de psicopedagogia, localizada no bairro do Umarizal, em Belém do Pará, foi invadida por um grupo armado, por engano. Os pequenos pacientes e suas mães, além dos profissionais que lá trabalham, viraram reféns e viveram momentos de pavor. 

Uma das mães, que é minha amiga e a quem eu deixo de identificar para preservar sua intimidade – até por estar profundamente abalada – conversou longamente com o que parecia ser o chefe do bando, formado por três homens e uma mulher, a mais feroz de todos. Ele sentou ao lado dela. Então minha amiga contou sua história, de há quantos anos seu filhinho luta pela vida. Explicou a ele que ali era um lugar de atendimento a crianças com necessidades especiais, que todos estavam com muito medo mas ninguém iria reagir, pediu que não matassem e nem ferissem qualquer pessoa, nenhum mal fosse feito, implorou que deixassem os remédios de seu filho, que estava em sua bolsa, disse que podiam levar o dinheiro que havia em sua carteira e a joia que usava no pescoço mas não os seus documentos, seu notebook e o da professora que atende as crianças, falou de Deus e das graças infinitas que Ele opera. 

Desesperada, pôs a mão no peito do assaltante e rezou. Muito emocionada e em choque, ela chorava. O assaltante, então, pediu que se acalmasse para não assustar as crianças. Perguntou se ela era da igreja e, para seu espanto maior, pediu que rezasse por ele, contou que tinha uma filhinha de 9 anos e ficou com os olhos marejados de lágrimas. Devolveu a bolsa com tudo, e o notebook da minha amiga.  O celular já estava em poder da mulher que integrava a quadrilha, que opôs resistência mas ele tomou das mãos dela o aparelho. Mandou devolver também o notebook e até o carregador da professora. E pôs o cordão da minha amiga no bolso. 

Enquanto isso, os outros do bando faziam buscas na casa e exigiam R$300 mil, dinheiro que não havia lá, até que perceberam estar no lugar errado. Aí ficaram muito nervosos, começaram a gritar, queriam trancar todos em um aposento. Após muitos apelos e promessas dos reféns de que iriam ficar quietos até que os assaltantes já tivessem fugido, eles saíram em carro e moto. 

Só que, conforme dito por uma pedagoga que trabalha no local, a polícia já estava no encalço deles desde ontem à noite, o delegado estava estacionado em frente e não entrou para não por em risco as pessoas lá dentro. Sábia decisão. Quando eles saíram a polícia foi atrás. Em confronto, dois morreram, um deles justamente o que conversou com minha amiga. O terceiro e a mulher foram presos. Nem é preciso dizer do imenso abalo emocional que uma situação dessa causa às vítimas. 

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