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Nem os mais ricos e poderosos amazônidas, pessoas que vivem e se identificam com a Amazônia, jamais participaram da definição do modelo de desenvolvimento da região. Nem no Ciclo da Borracha, nem no Ciclo do Ouro, nem dos Grandes Projetos, Nem no da Mineração nem no das Commodities. Jamais. Em se tratando de Desenvolvimento, Protagonismo significa geração de riqueza local.

Precisamos entender que uma coisa é estar em um território com o maior repertório de recursos econômicos do planeta, outra coisa é riqueza. Adam Smith, o pai do Capitalismo, já ensinava nos idos de 1770, que o único Fator Econômico que gera riqueza é o Trabalho humano. E, que o trabalho transforma recursos, ou seja, matérias primas, em produtos, aquilo que procuramos para resolver um problema, seja por necessidade ou desejo.

Logo, a verdade é que temos muito recursos, mais que qualquer outra região. Temos ampla capacidade de Trabalho, geramos muitos produtos, mas a riqueza não fica na região com quem a produz. A Riqueza de uma nação é sua qualidade de vida, é seu padrão de conhecimento e consumo. Rico não é o operário que produz o Rolls Royce, é quem pode desfrutar de um Rolls Royce.

Estudando a história das nações desenvolvidas, é rápido para identificar a importância do papel que a identidade cultural possui para a geração, aí sim, de Riqueza pela nação para si mesma. Em todas as nações desenvolvidas, o orgulho de pertencer a ela é o primeiro ponto que se destaca. Mesmo com defeitos, limitações, até estruturais, mesmo com problemas morais como a corrupção, as nações desenvolvidas trabalham seu orgulho próprio e daí a valorização de seus próprios produtos e daí de suas próprias decisões.

Ao mesmo tempo, as nações não desenvolvidas, têm em comum a marca da vergonha de ser o que é, assumindo a culpa pela própria pobreza por ter sido excluído do conhecimento da sua história. Daí não valorizam os recursos que possuem, e sonham em sair de seu lugar e viver na Europa ou nos States. Antes de exportarem barato seus recursos, inclusive sua capacidade de trabalho, se empobrecem porque exportam barato o seu Valor.

Quando a pessoa sonha em fazer Harvard, em supervalorizar quem fez. Qdo vc vai pra fora gastar o que ganha aqui. Qdo vc gasta mais em turismo externo, qdo vc acha que o bacana é “outlet”, que produto importado é sempre melhor, qdo vc tem vergonha de pedir farinha e tucupi em restaurante fino, qdo vc entende que emprego é mais seguro que trabalho, vc está delegando o poder que tem a um outro.

E, depois que a pessoa delega o poder que tem a um outro, diante da decepção, começa a reclamar sem parar. E reclama do A, do B, do Z. Mas se você delegou poder a eles, eles vão decidir segundo a lógica e o interesse deles e não seu. Reclamar, apontar os problemas e voltar à rotina, é o comportamento do escravo subjugado. “Sextou”. A “solução” nunca vem “de cima” nem “de fora”.

Precisamos aprender que a única chance de exercermos o poder que temos, é a partir de nossa próprias ações, na prática. Mas claro, isso se conseguirmos racionalizar nossas emoções e traumas, que é o que pode nos fazer delegar o poder que temos, a um outro, mais estratégico.

Protagonismo é o comportamento de quem tem valor, e não, preço. É o comportamento cotidiano de quem sacou que a sua realização e qualidade de vida é uma construção própria, mas também coletiva, e cultural. Enquanto houver alguém na pobreza, ninguém terá paz.

E é possível mudar, se mudarmos. Se quisermos mudar a direção do “Poder Econômico”, é só trabalharmos para mudar a direção do consumo. Se quisermos mudar a direção do “Poder Político”, é só trabalharmos para mudar a direção do voto, em vez de votar apenas em políticos, poderíamos também votar em políticas públicas e exercer controle participativo sobre elas.

Já reparou como cresceu a presença negra e lgbt na tv? Foram eles que deram? Não, foram as pesquisas de audiência que registraram um novo comportamento cotidiano na Sociedade, construção e conquista de movimentos sociais.

A solução está em nossas mãos e cabeças, em nossas próprias escolhas. É no consumo, no voto, na audiência que está o Poder. Ou seja, é no valor que se forja através da Educação, para além da escola, a que forma a Cultura, para além das artes, que um novo comportamento cotidiano pode surgir trazendo o Protagonismo Amazônida, trazendo valor e daí, Riqueza.

Mas, há sempre um “mas”, há um conforto psicológico enorme quando “o problema são os outros, são forças muito grandes” – ideias que justificam o imobilismo do escravo.

Protagonismo exerce quem não reclama. Quem ao identificar um problema, verifica o que já dispõe e elabora como agir, como se comportar no cotidiano para superá-lo. Exerce protagonismo quem age, quem junta outros, com objetivos estratégicos claros.

Temos aqui cientistas, artistas, empreendedores e em todos os setores capacidades que não devem, em competência e qualidade, nada a ninguém de lugar nenhum do planeta. Mas precisamos reconhece-los e valorizá-los, são muitos.

O grande desafio é optarmos pela inovação de nossa sociabilidade, os termos das relações que nos fazem sócios, daí Sociedade, para exercer poder em benefício de nós mesmos. Precisamos aprender a negociar entre nós, antes de negociar com “eles” de fora. Que é possível ter pontos comuns, que devemos trabalhar juntos com nossos públicos para direcionar consumo, voto e audiência para a construção da Democracia Sustentável e Solidária.

Tanto o Sucesso quanto o Fracasso, de uma nação, são produtos do nosso esforço cotidiano. Torço que o nosso esforço seja para exercer o Protagonismo.

Ah! Não é isso? Bora conversar?

João Tupinambá Arroyo
Prof João Tupinambá Arroyo, mestre em Economia, doutor em desenvolvimento, coordenador do Mestrado Profissional em Gestão de Conhecimentos da Universidade da Amazônia. Membro efetivo do IHGP.

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