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Fotos: PC Carvalho e Ozéas Santos
Enfatizando a alta relevância de legar às gerações futuras a memória da maior revolução popular brasileira, marco da história da Amazônia, do Pará e do Brasil, ainda hoje um desafio instigante para ser compreendida em sua real dimensão, o presidente da Alepa, deputado Márcio Miranda(DEM), inaugurou hoje, no hall principal da Assembleia Legislativa, exposição e placa alusiva aos 180 anos da Cabanagem, que eclodiu em 7 de janeiro de 1835. Pesquisadores, historiadores, artistas, professores e estudantes prestigiaram o evento, além de autoridades.

Estimular o conhecimento da própria história é fundamental em qualquer sociedade. A consciência e o fortalecimento da cidadania não podem ser alcançados sem o resgate do passado histórico. Durante cinco anos, de 1835 a 1840, a Província do Grão-Pará (que compreendia o Amazonas e o Pará) teve um governo autônomo que declarou sua independência do resto do País.
Um diferencial da Cabanagem é que suas disputas políticas não se restringiram às desavenças entre elites. O movimento contou com grupos indígenas, negros escravos e libertos, mamelucos, cafuzos, mulatos; membros das tropas, do clero e das lojas maçônicas; latifundiários, proprietários brancos e escravistas e intelectuais. A luta armada se estendeu das bacias do Capim, Moju e Acará a Belém, à zona bragantina, ao litoral atlântico, ao arquipélago do Marajó, até os confins do rio Amazonas. Avançou pelos rios amazônicos e pelo mar Atlântico, atingindo os quatro cantos de uma ampla região. Chegou até as fronteiras do Brasil central e ainda se aproximou do litoral norte e nordeste. Gerou distúrbios internacionais na América caribenha, intensificando um importante intercâmbio de ideias e de pessoas. 

A adesão e integração dos escravos é fato notório no estudo da Cabanagem. Segundo Vicente Salles, o negro começou a adotar formas mais efetivas de luta a partir do momento em que identificou o conceito de liberdade como decorrência da luta política. Desde a Cabanagem o regime escravagista se desorganizou e houve a suspensão definitiva da importação em larga escala de africanos. Além disso, os mocambos se multiplicaram em quase todo o Grão-Pará. E em 1888 – antes da Lei Áurea – foi criada a Liga Redentora, que propunha que a abolição da escravidão em Belém fosse marcada para o dia 13 de maio. 

Tal pioneirismo contribuiu indiscutivelmente para a evolução da sociedade brasileira.
Os cabanos, ao longo do movimento, criaram um sentimento comum de identidade entre povos de etnias e culturas diferentes, que extrapolava a luta armada. Suas lideranças vislumbravam outras perspectivas políticas e sociais, sentimento que fez surgir no interior da Amazônia uma unidade entre a própria diversidade. Indígenas, negros de origem africana e mestiços perceberam que suas lutas e problemas eram os mesmos. 

O deputado Márcio Miranda também é o autor do projeto de lei, recentemente aprovado, que declara o Monumento à Cabanagem integrante do Patrimônio Cultural Material do Estado do Pará. E, ainda, da sessão solene pelo transcurso dos 180 anos da Cabanagem.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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