Publicado em: 8 de dezembro de 2025
O Paço Imperial, no Rio de Janeiro, abre hoje a exposição Luiz Braga – Arquipélago Imaginário, que revisita cinco décadas de produção de um dos nomes mais influentes da fotografia contemporânea brasileira. A mostra, que ficará em cartaz de 9 de dezembro de 2025 a 1º de março de 2026, reúne 258 imagens selecionadas a partir de um vasto acervo constituído por Luiz Braga desde os anos 1970. Em uma abordagem ensaística do arquivo, a exposição propõe um percurso que atravessa paisagens, retratos, rituais populares e cenas cotidianas da Amazônia, articulando intimidade, memória e escuta como fundamentos de sua prática artística. A mostra tem curadoria de Bitu Cassundé, que em suas pesquisas recentes trata dos trânsitos entre Norte e Nordeste, articulando economia, migração, subjetividade e arte, enquanto desenvolve doutorado em artes na UFPA. A visitação ao Paço Imperial é gratuita.
Sem configurar retrospectiva tradicional, a mostra se estrutura em núcleos interligados que evidenciam o gesto de “espiar”, expressão que o próprio artista reconhece como elemento central de sua metodologia. A partir do Marajó, território que Luiz Braga fotografa de maneira sistemática há cerca de 20 anos, a exposição articula uma poética construída na convivência prolongada com comunidades, saberes populares e ritmos locais. Ao longo de sua trajetória, o fotógrafo tem insistido no deslocamento constante a esses lugares, prática que, segundo ele, cria vínculos de confiança e legitima sua presença.
O conjunto apresentado no Rio é o que foi considerado a maior exibição de sua carreira, inaugurada meses antes no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, enfatizando a pluralidade dos modos de ver que atravessam sua obra. O público encontrará registros em preto e branco do início da carreira, nos anos 1970 e 1980, além das cores luminosas que tornaram o artista referência internacional. O percurso inclui imagens do cotidiano ribeirinho, interiores de casas e comércios, celebrações religiosas como o Círio de Nazaré e personagens anônimos que sintetizam modos de vida urbanos e rurais da Amazônia.










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