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Ibama apura irregularidades em manejo

O superintendente do Ibama no Pará, Alex Lacerda, encaminhou nota oficial informando sobre a suspensão definitiva da compra de madeira retirada do Pará, pelos inúmeros crimes associados à cadeia produtiva florestal no Estado, fruto do trabalho do Ibama, que detecta e retira do mercado créditos ilegais de madeira e repassa informações aos órgãos policiais, que têm feito sua parte com diversas operações já realizadas este ano.


As irregularidades que comprometem a reputação do Pará como exportador de madeira são alvo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em operações como a Gênesis, que monitora a origem dos créditos florestais utilizados para emitir guias de transporte de madeira, na floresta. 


Um dos maiores Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS), licenciado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Pará, em 2015, foi identificado na operação, envolvido nas irregularidades apuradas. O referido plano foi habilitado em junho de 2015, e concedia permissão para exploração de uma área de mais de 1.280 hectares, o equivalente a 1.200 campos de futebol – o que geraria um volume de 38.418,32 metros cúbicos de madeira em tora, ou seja, mais de 1.500 caminhões carregados. 


Durante a operação Gênesis, no mês de agosto, o Ibama no Pará detectou que o PMFS estava vendendo apenas as guias de transporte de madeira, não sendo retirada nenhuma tora da área do manejo autorizado. Com esta prática, tenta-se mascarar a ilegalidade da exploração da floresta em áreas não autorizadas, como terras indígenas e unidades de conservação, utilizando documentos e informações de uma área licenciada. Como a exploração florestal clandestina não utiliza técnicas de planejamento, estima-se que podem ter sido destruídos 2 mil hectares de floresta.


A fraude beneficiou 17 empresas do setor madeireiro, com a comercialização virtual de aproximadamente 18 mil metros cúbicos de madeira em tora. Somente no mês de agosto, este PMFS declarou, no sistema estadual de controle de produtos florestais, uma movimentação média de 24 caminhões carregados de tora, ou seja, cerca de 600 metros cúbicos diariamente, totalizando pouco mais de 15 mil m³. Isto significa que, se a madeira em tora não saiu, fisicamente, do plano de manejo, os créditos florestais fomentaram a exploração clandestina em florestas públicas e privadas. 


Os responsáveis pelo plano de manejo ainda tentaram burlar a fiscalização, simulando a extração de madeira do local. Após detectarmos a fraude, a nossa equipe encontrou um grupo de trabalhadores na área do plano de manejo iniciando o primeiro carregamento de um caminhão, com apenas duas toras de madeira. O grupo foi impedido de prosseguir com a ação e as atividades foram embargadas. 


As empresas envolvidas foram bloqueadas e os créditos irregulares movimentados serão estornados do sistema de controle. No total, foram lavrados 18 autos de infração e as multas, aplicadas pelo Ibama, somam mais de R$ 6 milhões. Assim que forem aplicadas as sanções de competência do órgão ambiental estadual, o valor pode chegar à casa de R$ 11 milhões. 


No mês de setembro, a maior importadora norte-americana de pisos de madeira, a Lumber Liquidators, suspendeu as compras de empresas paraenses em função de irregularidades na exploração florestal. Ela é responsável pela aquisição, em média, de 60% desse tipo de madeira que entra nos Estados Unidos. Por conta da decisão, cerca de 60 contêineres estão retidos nos portos locais.”

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