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A tragédia humanitária do povo Yanomami é de clamar aos céus. Nada menos que 570 criancinhas indígenas morreram nos últimos quatro anos por falta de assistência. A origem do genocídio na maior reserva indígena do país é conhecida pelo governo e ambientalistas: o garimpo ilegal, que degrada a floresta e expõe indígenas isolados, provocando contaminação por mercúrio e todo tipo de doenças, além de violências múltiplas: estupros, assassinatos, fome. Aos garimpeiros se aliam madeireiros ilegais e facções do tráfico, gerando o caos: postos de saúde indígena são tomados pelo crime organizado, que impede a prestação de atendimento médico e até a contagem dos mortos. É um massacre assombroso, que tem sido mantido através da omissão governamental.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em Boa Vista (RR) neste sábado (21), acompanhado pelos ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social), Nísia Trindade (Saúde), Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Flávio Dino (Justiça), José Múcio (Defesa), Silvio Almeida (Direitos Humanos), Márcio Macêdo (Secretaria-Geral), general Gonçalves Dias (Gabinete de Segurança Institucional) e o comandante da Aeronáutica, Marcelo Kanitz Damasceno, além do governador de Roraima, Antonio Denarium e do secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba.

O Ministério da Saúde declarou emergência de saúde pública para enfrentar a desassistência sanitária da etnia Yanomami. Desde segunda-feira (16), técnicos da pasta resgataram ao menos oito crianças Yanomami em estado grave. O presidente Lula criou o Comitê de Coordenação Nacional, para discutir e adotar medidas articuladas entre os poderes. O plano de ação deve ser apresentado no prazo de quarenta e cinco dias, e o comitê trabalhará por 90 dias, prazo que pode ser prorrogado.

No território, que é a maior reserva indígena do país, abriga mais de trinta mil indígenas cujos antepassados viviam ali há mais de três mil anos, o garimpo ilegal se expande a galope e degradou, só no ano passado, uma área equivalente a mais de 1.100 campos de futebol.

O reconhecimento oficial dos limites da Terra Indígena se deu em 25 de maio de 1992, quando o Brasil sediou a conferência da ONU Eco-92. São 96 mil Km² de área contínua nos estados de Amazonas e Roraima, até a fronteira com a Venezuela. Do tamanho de Portugal, a TI Yanomami tem 350 aldeias.

A calamidade vivenciada pela etnia Yanomami remonta aos planos de “desenvolvimento” concebidos para a Amazônia. A Perimetral Norte (BR-210) estava no bojo do Plano de Integração Nacional (PIN), na época do general presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), junto a outros projetos de infraestrutura, como as rodovias Transamazônica (BR-230) e Santarém/Cuiabá (BR-163), e também a construção das usinas hidrelétricas de Tucuruí e Belo Monte, afetando irremediavelmente povos indígenas que, sem contato anterior, de repente se viram acossados pelo avanço de milhares de aventureiros, levando a mortalidade a índices alarmantes.

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