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Gabriella Florenzano e Salomão Habib em “Cais”

Com interpretações fortes e ao mesmo tempo delicadas, a cantora Gabriella Florenzano e o violonista Salomão Habib deixaram a plateia do concerto “Cais” boquiaberta. Os alertas meteorológicos e a tradição parauara se confirmaram e ao cair da tarde desabou um aguaceiro sobre Belém do Pará do tipo descrito por Gabriel Garcia Márquez em sua Macondo colombiana. Mas a calorosa apresentação aqueceu a alma do público. O virtuosismo do instrumentista de seis cordas e a impecável apresentação da cantora, que transitou com graça e talento pelo erudito, zamba, samba, heavy metal, pontos de santo, MPB, música paraense e até carimbó, garantiram momentos de muita emoção e música da melhor qualidade.

Entremeando as peças musicais com comentários a respeito delas, o repertório começou com “Manhã de Carnaval”, de Luís Bonfá, e uma sequência de música paraense: “Azulão”, do grande Jayme Ovalle, seguida por “Abaluayê”, Uirapuru e Coco Peneruê, as três do maestro Waldemar Henrique.

 Gabriella Florenzano arrebatou o teatro ao entoar “Killing in the Name”, que é uma das mais brilhantes composições da banda californiana Rage Against the Machine, cuja letra se refere a Frederick Douglass, abolicionista, estadista e escritor americano do século 19: ele disse que o momento em que se tornou livre não foi quando fisicamente solto de suas amarras, mas sim quando os mestres (senhores) disseram “sim” e ele disse “não”. E essa é a essência da letra dessa música, com frases libertárias que as pessoas gritam no mundo inteiro para outras situações de suas vidas, inesgotável nas menções mesmo em momentos de calmaria. “Killing in the Name” foi lançada no finalzinho de 1992, em meio à era Nirvana, com uma mensagem explosiva sobre supremacia branca e racismo institucionalizado. A poderosa canção de protesto virou trilha perfeita destes tempos de violência. 

Outro momento visceral foi “Sodade”, de Armando Soares, eternizada na voz de Cesária Évora, cantada em pretuguês, língua materna de quase toda a população cabo-verdiana – o crioulo – apesar de o português ser a língua oficial.

É chegada e partida de um barco que navega por novos caminhos musicais. Outro momento de tirar o fôlego. Salomão Habib prepara-se para um solo. O improviso e a genialidade tomam conta do teatro. A música cresce, Salomão se multiplica e ocupa todo o palco. As músicas seguintes, executadas em sequência, mas separadas por sublimes segundos de improvisos, são composições do violonista. As suaves “Fantasia do Uirapuru”, “Feitiço”, quarto movimento da Suíte das Amazonas; “Guaimiaba”, de Salomão Habib e do poeta, escritor, compositor e professor João de Jesus Paes Loureiro; e finalmente o “Tango Malbec”, quinto movimento da Suíte Bacus. O violonista, compositor e improvisador conversa com o público, conta histórias, brinca e dispara expressões, descreve as músicas de forma rica e divertida. Coisas de Salomão. Seus jeitos e trejeitos só não são melhores do que sua arte.

Gabriella volta ao palco. E, à capela, executa com maestria “Chegou”, composição da jovem maestrina paraense Cibelle J. Donza, especialmente criada para trilha sonora do filme “3 Marias”, o primeiro longa-metragem da cantora, que também é cineasta e dedica parte de seu tempo a atividades voluntárias em prol de populações vulneráveis, em especial crianças e adolescentes.

Gabriella Florenzano une sua voz com as cordas de Salomão Habib e juntos trazem os rios de seus percursos artísticos para um mar de música e poesia sem fronteiras, no palco do Teatro Margarida Schivasappa, da Fundação Cultural do Pará.

“Lua Branca”, uma das lindas composições de Chiquinha Gonzaga, a primeira maestrina do Brasil, embala a plateia. Os artistas se entregam à música e viajam com ela. Em seguida, “Feitiço de Afrodite”, de Salomão Habib e João de Jesus Paes Loureiro, e depois o argentino “Alfonsina y el mar”, de Ariel Ramirez e Felix Luna, música muito triste, intensa e belíssima, um dos pontos altos da noite. Como não se emocionar?

Na reta final do concerto, o duo se despede com uma interpretação magistral de “Este rio é minha rua”, “Sinhá Pureza’ e “Foi Bôto, Sinhá!”, de Ruy e Paulo André Barata, Pinduca e Waldemar Henrique. O público vibra com tanto talento, que só confirma: o Pará é um celeiro de artistas.

O diálogo entre o violão e a solista é em harmonia perfeita. O repertório, rico. O concerto acaba e toda a plateia, em pé, aplaude em sincronia e quer mais. A resposta dos músicos: a execução do “Canto das Três Raças”, de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro. Momento sublime. Final é ovacionado. Que noite inesquecível.

O concerto “Cais” foi beneficente, promovido pelo Governo do Estado, através da Fundação Cultural do Pará, em prol da Fraternidade Católica Ágape da Cruz, dirigida pelas Irmãs Raimunda Rodrigues e Josefa Iglesias, que mantém um abrigo em Portel e um centro social em Ananindeua, acolhendo crianças (inclusive bebês) e adolescentes vítimas de abuso e exploração sexual no arquipélago do Marajó. A fotografia e a arte digital do cartaz são de autoria de Mei Habib (@mei.artedigital). Quem puder ainda pode contribuir para a causa, é só fazer um PIX: 509 851 082 15 (Irmã Maria Josefa Iglesias Fernandez) ou transferência bancária para o Banco do Brasil – agência 2486-4, conta corrente 14.177-1 (FRACAMISAC, CNPJ: 10.766.643/0001-02). As crianças marajoaras precisam muito de ajuda.

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1 comentário

  1. Para os amantes deste gênero musical, representa uma oportunidade ímpar, somam-se a união de talentos a um repertório de elevado nível musical.

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