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O Centro Universitário Fibra abriu suas portas para um encontro que ultrapassou os limites da sala de aula e se transformou em um mergulho na literatura produzida na Amazônia. A iniciativa partiu do Programa de Pós-Graduação na disciplina de Ensino-Aprendizagem em Língua Portuguesa e Literatura, que promoveu uma tarde de debates marcada por reflexão, escuta e debates, em pleno sábado (28).

O auditório reuniu estudantes de diferentes cursos, professores, pesquisadores e convidados, todos movidos por uma inquietação comum: compreender melhor a força e a complexidade da literatura amazônica. O grande destaque do encontro foi a presença do escritor, jornalista e dramaturgo Edyr Augusto Proença, um dos nomes mais expressivos da produção literária brasileira.

Com fala segura e provocativa, Edyr conduziu a plateia por caminhos que atravessam o romance policial, a crítica social e o retrato urbano de Belém. Ao compartilhar sua trajetória, o autor revelou como a experiência jornalística moldou sua escrita literária, conferindo-lhe ritmo, precisão e compromisso com a realidade. Mais do que relatar histórias, Edyr destacou a necessidade de escrever a Amazônia para além dos estereótipos, rompendo com visões exóticas e simplificadoras.

Outro momento marcante a participação do escritor Albano Martins, que trouxe reflexões profundas sobre as funções da literatura. Com referências literárias consistentes, Albano provocou o público a pensar a literatura como forma de conhecimento e de transformação. Ele ressaltou que a literatura amplia a percepção humana, pois ensina a olhar o mundo a partir de diferentes perspectivas.

Ao abordar as funções da arte literária, destacou sua dimensão estética, ética e social. A literatura, afirmou, não apenas representa o real, mas o interpreta e o questiona. O debate ganhou intensidade quando o tema “local e global” entrou em pauta. Os convidados refletiram sobre como a literatura amazônica dialoga com questões universais sem perder suas marcas regionais.

A paisagem amazônica foi discutida não como cenário estático, mas como elemento constitutivo da narrativa. Rios, ruas, bairros periféricos e espaços urbanos apareceram como personagens vivos nas obras comentadas. A construção de personagens também foi tema central da conversa. Edyr explicou que seus personagens nascem da observação atenta do cotidiano e da escuta das vozes silenciadas. Essa construção cuidadosa revela sujeitos complexos, atravessados por conflitos morais e sociais.

A plateia acompanhava cada fala com atenção, registrando ideias e formulando perguntas. Estudantes de Letras participaram ativamente, interessados na relação entre teoria literária e prática de escrita. Alunos de Psicologia contribuíram com reflexões sobre a dimensão subjetiva das personagens. Acadêmicos de Pedagogia questionaram sobre a recepção da literatura amazônica em sala de aula. Estudantes de História trouxeram o debate para o campo da memória e das narrativas identitárias. Os alunos de Odontologia participaram, demonstrando que a literatura atravessa todas as áreas do conhecimento. Essa diversidade de cursos presentes evidenciou a força interdisciplinar do encontro.

A discussão sobre o fazer literário despertou especial interesse. Como nasce um livro? Como se constrói uma narrativa consistente? Como se trabalha a linguagem? Edyr respondeu com franqueza, lembrando que escrever exige disciplina, leitura constante e coragem para enfrentar críticas.

As professoras Iêda Nogueira e Janaina Calíope, egressas do curso de Letras da Fibra destacaram a importância de valorizar autores da região nas escolas e universidades. A recepção da literatura amazônica em sala de aula foi debatida como um desafio e uma necessidade.

Professores presentes relataram experiências exitosas ao trabalhar textos da Literatura amazônica com estudantes. O reconhecimento da própria realidade nas páginas de um livro, afirmaram, fortalece a identidade e o senso crítico. O encontro reafirmou que discutir literatura amazônica é discutir pertencimento. É reconhecer vozes que durante muito tempo ficaram à margem do cânone nacional. É compreender que a Amazônia não é apenas tema, mas lugar de produção intelectual sofisticada.

Para o professor doutor Marcos Valério Reis, que é membro das Academias Paraenses de Letras e de Jornalismo, além de sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, o Centro Universitário Fibra demonstrou, com essa iniciativa, seu compromisso com a valorização da cultura regional. Ao promover o diálogo entre escritores e comunidade acadêmica, a instituição fortalece a formação crítica de seus estudantes e articula teoria, prática e realidade social.

A tarde terminou com aplausos prolongados e conversas que se estenderam pelos corredores. Muitos estudantes aproveitaram para conversar diretamente com os autores. Houve troca de contatos, indicações de leitura e promessas de novos encontros. Mais do que um evento pontual.

Debater a literatura produzida na Amazônia é afirmar que as narrativas da região têm densidade estética e relevância nacional e internacional. É ampliar horizontes e romper com visões simplificadas sobre o Norte do país. O encontro no Centro Universitário Fibra mostrou que a universidade pode e deve ser espaço de diálogo vivo, sintetizou Marcos Valério Reis.

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