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Foto: Cristino Martins
Os estudos de viabilidade econômica, técnica e ambiental da Ferrovia Paraense (Fepasa) estão em fase final e a expectativa é de que o edital para construção da obra seja publicado em até 120 dias. O licenciamento ambiental também está em andamento e três grupos empresariais já sinalizaram interesse ao governo do Pará, que pretende licitar logo no início de 2016 a primeira linha
ferroviária estadual para o transporte de grãos e minérios. Quem conta é o 
secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia, Adnan Demachki. O projeto – concebido para ser executado e operado pela iniciativa privada durante 30 anos, em regime de concessão, cabendo ao governo estadual fiscalizar e regular a atividade ferroviária – tem traçado de 1.550 Km, ligando o polo agrícola de Santana do Araguaia, no sudeste do Pará, ao porto de Vila do Conde, em Barcarena. O investimento inicial
previsto é da ordem de R$ 17 bilhões. 

A percurso da ferrovia, a partir de Santana do Araguaia, inclui municípios mineradores – como Marabá e Rondon do Pará – e agrícolas, como
Paragominas (soja) e Moju (óleo de palma). Em Marabá, um ramal ligaria a
Fepasa à linha federal da Norte-Sul. 

Adnan Demachki esclarece que a Fepasa não competiria pelos grãos da “Ferrogrão”,
concessão federal. Isto porque a soja escoada seria originada no Pará e no nordeste de Mato
Grosso, que está mais próximo de Santana que de Sinop.
Além do mais, o Pará tem cerca de 2 milhões de hectares já
abertos e os dois principais polos de grãos – Paragominas e
Santana do Araguaia – crescem em área plantada ao ritmo de 15% a 20% por
ano. 

O problema é a logística de transportes. As rodovias já estão com o trânsito estrangulado, sem falar nos riscos de acidentes, poluição ambiental e alto custo do frete, inerentes ao modal. A utilização de trem baratearia o frete, com menos riscos e poluição, otimizaria o transporte e ainda contribuiria para a verticalização da produção no
Pará. Melhor do que isso só pela hidrovia, sonho antigo de integração estratégica nacional que, apesar do imenso potencial de águas, inexplicavelmente permanece no papel.

As gigantes mineradoras do ramo de bauxita e alumina que atuam no Pará, apesar de contempladas pelo traçado da ferrovia, até agora ainda não definiram sua participação em consórcio para disputar a concessão da obra. As negociações prosseguem nesse sentido, com o secretário Adnan Demachki. Nas contas iniciais, seriam necessárias
40 milhões de toneladas ao ano, entre minérios e grãos, para viabilizar a Fepasa.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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