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Ah, Não!

Anão não pode.

E o que mais?

Criado mudo, mulata, favela, inveja branca, lista negra, cigano, esclerosado ( vou acabar ficando ). E o que mais? Expliquem-me o que está acontecendo, alguém se habilita? Vou esperar alguns valorosos neurônios, porque os meus, sinceramente, do jeito que vão com todas essas loucuras, irão precisar de bengalas. Já havia lido algumas preconizações a respeito de certas pesquisas para trabalhos sobre exclusões sociais, preconceitos etc. e chegaram a essas conclusões. No domingo passado, veio o artigo do Karnal, opinando que estaríamos ficando bilíngues.

Deixa então eu falar o que penso a respeito. Por itens mais interessantes – a mim, é claro .
Vamos primeiro ao Criado Mudo :

Na minha cabeça, esse termo ( que sempre achei Horrível, em si ) fixou-se em memória de criança, de meus oito ou nove anos. Quando uma velha amiga e eu, tivemos uma passagem comum na infância, que só fomos reconhecer há uns dois ou três anos, a querida Dulce Rosa Rocque e com sua permissão:

Dulce é filha de Félix Rocque, irmã do historiador Carlos Rocque.

Meu pai, na época, era muito amigo do seu e morávamos nas proximidades. Eles na Trav. Frei Gil de Villa Nova e nós, na Rua Ó de Almeida, mas em crianças não nos conhecemos.

Minha avó paterna, libanesa é que de vez em quando ia visitar a velha senhora, avó da Dulce, para trocarem um arabês e eu tinha o maior prazer em ir pela mão da minha avó, só para ver o criado mudo. Lá havia um de verdade!

Subíamos os quatro degraus da casa velha deles e pronto! Lá estava ela sentada numa dessas cadeiras do estilo que muitos agora procuram, pois já são antiguidades. Sabem como era esse criado que tanto me encantava?

Um homenzinho risonho, esculpido e pintado em madeira de lei, carregando uma bandeja redonda. Nesta bandeja, uma escarradeira de porcelana francesa Limoges. A velha ( adoro o termo, não proíbam ), fumava feito um Saci ( por favor, não me processem ), só não lembro se cigarros ou charutos ou fumo mastigado. Só lembro daqueles pigarros horríveis, que vinham sempre com um impropério em árabe (esses eu aprendi todinhos).
Conversei com Dulce a respeito e ela confirmou.

Bem que eu gostaria de ver um desses hoje, mas nem em antiquário, vi.

Quanto ao termo, sempre utilizei “mesa de cabeceira”, mesmo porque não vivi no Brasil Colônia. Não quer dizer que eu não ache válido essas pesquisas, mas proibição?

Que é isso?

Mulata

Como ficariam as famosas Mulatas do Sargentelli? Sem a inveja das brancas?

O Cigano também entrou na lista negra e agora mora numa favela e não num acampamento ou uma comunidade. Ou será o contrário?

Samba do Crioulo Doido, não é Stanislaw ?

Miriam Daher
Miriam Hanna Daher é escritora de livros infantis, paraense de Belém, autora de “Os Botoninos”, “A estante miúda”, “Bia e Lena - As formiguinhas faceiras” e “O Gringo da Matinta”. Contatos pelo e-mail miriamhannadaher@hotmail.com

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